domingo, 12 de novembro de 2017

PAIS E FILHOS

Efésios 6:1-4
VÓS, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo.
Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa;
Para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra.
E vós, pais, não provoqueis à ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor.

Paulo manda que os filhos obedeçam as ordens de seus pais e os honrem. A honra que Paulo exige não é uma mera honra de palavra; a única maneira de honrar aos pais é obedecendo-lhes, respeitando-os e não lhes causando dor.
Mas Paulo se dá conta de que o problema tem outra face. Diz aos pais que não provoquem a ira de seus filhos. As mães têm uma espécie de paciência divina, mas "os pais são mais propensos à ira". Chama a atenção que Paulo repita suas ordens em forma um pouco mais completa em Colossenses 3:21. "Pais", diz, "não exasperem a seus filhos para que não se desalentem".
São três as maneiras como podemos ser injustos com nossos filhos.
(1) Podemos esquecer que as coisas têm que mudar; que os costumes de uma geração não são os da outra. Elinor Mordaunt nos narra como deteve sua filha pequena para que não fizesse algo, dizendo-lhe: "Quando eu tinha sua idade não me deixavam fazer isso". E a menina respondeu: "Mas mamãe, deve lembrar que você vivia então e eu vivo agora". Os pais podem causar um dano imenso esquecendo que os tempos mudam e os costumes se transformam.
(2) Podemos praticar um controle tão estrito que se torne num descrédito para a mesma educação dos filhos. Manter uma criança muito tempo em andarilhos é confessar que não se confia nela, e isto no fundo é simplesmente dizer que não confiam na forma em que o educaram. É melhor correr o risco de equivocar-se confiando muito, que controlando muito.
(3) Podemos esquecer o dever de estimular. O pai de Lutero era muito estrito, tão estrito que raiava no cruel. Lutero acostumava dizer: "Retém a vara e arruína o menino — isto é verdade; mas junto à vara tenha uma maçã para dá-la quando agir bem".
Benjamin West nos narra como chegou a ser pintor. Certo dia sua mãe saiu, encarregando-lhe o cuidado de sua irmãzinha Sally. Na ausência de sua mãe encontrou alguns frascos com tinta de cor e começou a fazer um retrato de Sally. Ao fazê-lo causou uma considerável desordem e o manchou todo de tinta. A mãe voltou, observou a desarrumação mas não disse nada. Tomou a parte de papel e contemplando o desenho disse: "Como? É Sally!" E se inclinou para beijar o menino. Depois Benjamin West costumava sempre dizer: "O beijo de minha mãe fez de mim um pintor". O estímulo obtém mais que a recriminação.
Anna Buchan nos conta como sua avó repetia uma frase favorita mesmo quando era de idade avançada: "Nunca se deve acovardar a juventude".
Segundo Paulo, os filhos devem honrar a seus pais, mas os pais nunca devem desanimar a seus filhos.

Comentário de Efésios (William Barclay)