sábado, 7 de janeiro de 2017

O AMOR AO DINHEIRO É O PRINCÍPIO DOS MALES

Há muito tempo deixamos de ser o que deveríamos ser, para sermos aquilo que possuímos, uma vez que, em sua grande maioria, aquilo que possuímos também é aquilo que nos possui; mas não deveria ser assim.
Deixamos de usar o que possuímos em função de nossas vidas, para vivermos em função daquilo que possuímos.
Nos esquecemos de quando éramos crianças e nada possuíamos, mas mesmo assim éramos felizes e agora vivemos num ciclo vicioso que nos aprisiona cada vez mais e mais, nos tornando cada dia mais dependentes e amantes de nossos bens, a ponto de depositarmos neles toda a nossa felicidade e confiança.
Ou seja, dizemos que a nossa prioridade é Deus, mas não conseguimos deixar de amar aquilo que conquistamos e muito menos nos imaginar longe daquilo que conquistamos.
Será que continuaríamos sendo agradecidos a Deus se acordássemos algum dia e não fossemos mais donos daquilo que hoje temos?
Amamos tanto aquilo que possuímos, porém, sem nunca nos saciarmos e querermos sempre mais e muito mais. 
Amamos tanto os nossos bens e os bens que sonhamos um dia possuir, que fomos capazes de deturpar a Bíblia e transformamos a nossa idolatria pelo dinheiro em "prosperidade financeira". 
Somos tão covardes e hipócritas que chegamos ao ponto de transformarmos o nosso pecado de idolatria em resultado de uma suposta consequência por nossa suposta "devoção", "amor" e "intimidade" com Deus.
Não estou afirmando com isso que ter bens e possuir uma situação financeira confortável seja pecado. O que estou afirmando é que o pecado consiste em nos apegarmos tanto ao material a ponto de sermos capazes de distorcer e aplicar a Bíblia de tal forma que o nosso pecado deixe de ser pecado e se torne em virtude (pelo menos diante dos olhares humanos). 
As igrejas, que antes eram procuradas por pessoas que se viam na situação de pecadoras e necessitadas do perdão e da graça de Deus, hoje são invadias por pessoas que querem crescer, prosperar financeiramente. É claro que não generalizo, pois ainda existem igrejas sérias e comprometidas com a mensagem da cruz.
Mas infelizmente, o neopentecostalismo e sua mensagem distorcida sobre a prosperidade se espalhou com tanta força pelo Brasil a fora e pelo mundo, que a palavra "arrependimento" tem perdido completamente o seu sentido, bem como as palavras "amor", "perdão", "compromisso", "eternidade", "céu", "inferno" e por ai vai.
Oramos tanto para um dia alcançarmos as TV´s a fim de pregarmos o evangelho e quando finalmente esse dia chegou, o amor pela "prosperidade financeira" já era muito maior do que o amor pelo evangelho e pelas pessoas perdidas. Os "líderes" que antes lutavam contra a teologia da prosperidade, hoje são os seus maiores defensores e trazem em punhos essa maldita bandeira.
Clamo a Deus para que os verdadeiros líderes não se calem e se levantem com autoridade contra esse "novo evangelho" totalmente contrário a Bíblia que tem sido pregado em nossos dias.
Somos pecadores e necessitamos do perdão e da graça de Deus em nossas vidas e não dinheiro sobrando e carro do ano.
É muito triste ver as pessoas limitando o evangelho de Cristo simplesmente a vida material, ignorando assim a vida espiritual e consequentemente a eternidade.
Prosperidade financeira está relacionada a trabalho e dedicação e não a fé. 
Devemos buscar a Deus pelo o que Ele é e por tudo o que Ele já fez por nós, e não pelo o que queremos que Ele nos faça.
Quem se entrega a Deus esperando retorno financeiro está barganhando com Deus, ao mesmo tempo em que não existe entrega alguma.
O evangelho de Jesus é sério demais, não deve ser encarado e vivido dessa forma que temos visto.
Quebre o nosso orgulho Senhor e nos coloque novamente em seus santos caminhos, esta é a minha oração.
(Daniel Gummi A. de Souza)