domingo, 25 de dezembro de 2016

Só mais uma vez

Há um romance do século dezenove que se passa numa pequena cidade gaulesa, na qual, durante os últimos quinhentos anos, a cada ano, na noite de Natal, o povo todo se reúne na igreja para orar. Pouco antes da meia-noite, eles acendem velas e, cantando cânticos e hinos, descem alguns quilômetros por um caminho de terra, em direção a uma velha choupana de pedra abandonada. Lá montam um presépio, com manjedoura e tudo. E, em simples devoção, se ajoelham e rezam. Seus hinos aquecem o ar gelado de dezembro. Todos da cidade, podendo caminhar, estão lá.

Há um mito naquela cidade, uma crença de que se todos os habitantes estiverem presentes na noite de Natal, e se todos rezarem com fé verdadeira, então, e só então, ao bater da meia-noite, o Messias retornará. E durante quinhentos anos, o povo tem ido àquela ruína de pedra e rezado. Entretanto, o retorno do Messias os iludiu.

Pergunta-se a uma das principais personagens neste romance:

- Você acredita que Ele voltará para nossa cidade na noite de Natal?

- Não – ele responde, balançando tristemente a cabeça -, não acredito.

- Então, por que vai todos os anos? – pergunta.

- Ah – diz ele sorrindo. – E se for o único a não estar lá quando acontecer?

Sua fé é bem pequena, não é? Mas, ainda assim é alguma fé. Como foi dito no Novo Testamento, basta uma fé do tamanho de um grão de semente de mostarda para entrar no reino dos céus. E, algumas vezes, ao trabalharmos com crianças perturbadas, jovens que correm perigo, adolescentes problemáticos, parceiros, amigos ou clientes alcoólatras, corruptos ou depressivos...é nesses momentos que precisamos daquele pouquinho de fé que fazia aquele homem retornar à ruína de pedra na noite de Natal. Só mais uma vez. Só esta próxima vez, talvez aconteça. 

Às vezes, somos chamados a trabalhar com pessoas que outros já perderam todas as esperanças de recuperar. Talvez nós também cheguemos à conclusão de que não há possibilidade de mudança ou crescimento. É nesta hora que, se conseguirmos encontrar o menor resíduo de esperança, dobramos a esquina e conseguimos uma melhoria considerável, salvamos alguém que vale a pena ser salvo. Por favor volte, amigo, só mais uma vez.  

Hanoch McCarty 
Do livro: Canja de Galinha para a Alma 
Jack Canfield & Mark Victor Hansen - Ediouro