terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Comentario do Salmos 42 -

Significado de Salmos 42

Salmo 42 formava provavelmente com o Salmo 43 um único poema, em sua origem. Observe-se que o Salmo 43 não possui um sobrescrito e que Salmo 43.5 repete o refrão de 42.5,11. Tudo indica que o salmo primitivo, por ser longo, foi dividido em duas partes, possivelmente para melhor utilização no louvor do templo. O atual Salmo 42 é um lamento pessoal, com forte ênfase na confiança em Deus (SI 23). Os dois momentos do salmo concluem com um refrão de incentivo a esperar em Deus (v. 5,11), embora o salmista estivesse no exílio, longe do templo. O salmo é atribuído aos filhos de Corá, família de músicos de Israel. Descendiam de Corá, ou Coré, levita que incitou uma rebelião fracassada contra a liderança de Moisés e Arão (Nm 16). O juízo de Deus abateu-se sobre ele e seus asseclas, mas sua descendência continuou servindo a Deus por centenas de anos, tornando-se uma das lideranças na música de louvor, em Israel. O desenvolvimento deste poema é o seguinte: (1) descrição do anseio do salmista pela presença de Deus (v. 1-4); (2) descrição do temor do salmista de que Deus não Se lembrasse mais dele (v. 5-11).

42.1-4 — Brama. O verbo bramir exprime aqui de modo incomum a sede espiritual por Deus. O poeta descreve sua ansiedade por estar separado da congregação de louvor. Sente-se distante da presença de Deus entre o Seu povo e deseja intensamente voltar a ter intimidade com Deus (v. 4). Para o crente da época do Antigo Testamento, só havia um lugar onde adorar verdadeiramente ao Senhor — o templo de Jerusalém. Havia ido com a multidão. O salmista estava cheio de saudades da adoração a Deus, que experimentava ao comparecer ao templo de Jerusalém em meio a uma multidão de crentes, tomados de entusiasmo e santo êxtase (Sl 100). O foco no louvor, do livro de Salmos, é geralmente no louvor comunitário (compare com At 2.40-47; Hb 13.15,16).

42.5 — Por que estás abatida, ó minha alma. Estas palavras são repetidas no versículo 11 e em Salmos 43.5. O salmista se lembra de que um dia ele irá vivenciar novamente a presença de Deus. Sua esperança no Senhor não será em vão. O louvarei. Como é comum nos Salmos, o poeta não se refere a um ato de devoção particular, mas, sim, pública, à bondade de Deus. Trata-se, na verdade, de uma adoração em forma de palavras e canções, que seriam ditas e repetidas em meio à congregação (Sl 22.22; Ef 5.19; Hb 13.15).

42.6 — Desde a terra do Jordão, e desde os hermonitas refere-se à Terra Prometida, de que o povo foi um dia exilado. 

42.7-11 — Por que te esqueceste de mim? O salmista faz perguntas perturbadoras, mas com fé, pois ainda se lembra de que Deus é sua Rocha, seu protetor e alicerce. Em meio às circunstâncias mais difíceis, nada cabe fazer senão esperar nele.