sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Flechas que podem trazer morte

As nossas palavras negativas não têm o mero efeito de ar saindo da boca, mas são como flechas que podem até trazer a morte, como está escrito em Jeremias 9.8: "A língua deles é uma flecha mortal" (NVI). 
As palavras nocivas e prejudiciais que soltamos sem pensar duas vezes podem ser flechas que ainda trarão a nossa própria morte precoce. Por isso, precisamos tomar muito cuidado e evitar esses tipos de colocações verbais.
Mesmo com esse alerta do meu pai sobre a cautela que precisamos ter com nossas palavras, ainda não entendia de uma forma plena esse princípio. Levei anos vendo na prática a força que as palavras têm e estudando a Palavra de Deus, até que tive uma revelação pessoal desse poderoso princípio espiritual.
A passagem bíblica que me fez acordar para essa verdade, que expressa com muita precisão esse incrível poder que possuímos em nossas bocas, está em Provérbios, quando Deus disse: "A morte e a vida estão no poder da língua" (18.21). A expressão "morte e a vida estão no poder" não está se referindo a uma forma apenas figurativa ou ilustrativa; está falando de um princípio real e com conseqüências diretas e tangíveis sobre as nossas próprias vidas, como também nas das pessoas ao nosso redor.
O fato triste é que a maioria delas somente descobre esse poder tarde demais, quando os efeitos colocados em ação por palavras torpes liberadas já vieram à tona. Tiago se expressa com veemência sobre o poder das nossas palavras negativas, quando diz que a língua usada da forma errada é "um mundo de iniqüidade"; que "contamina a pessoa por inteiro, incendeia todo o curso de sua vida, sendo ela mesma incendiada pelo inferno"; e, por último, que ela é "um mal incontrolável, cheio de veneno mortífero" (Tg 3.6, 8 - NVI).
Podemos ver nesses versículos uma confirmação da mesma linha de ensinamento bíblico sobre o potencial mortífero da língua fora de controle, quando usada para trazer morte ao invés de vida.
Um pastor africano fazia um maravilhoso trabalho de evangelização no interior de seu país, e já tinha fundado mais de 100 igrejas, a maioria das quais beirando um extenso rio. Com o grande crescimento do seu ministério, foi necessária uma forma mais rápida de viajar para que ele pudesse visitar as igrejas e pastores que supervisionava.
Após muita oração, ele sentiu que deveria liberar a sua fé e pedir a Deus condições para comprar um pequeno hidroavião. Começou o curso para tirar seu brevê de piloto e em pouco tempo o concluiu com êxito. Depois de orar mais, com muita alegria pôde comprar o seu primeiro avião usado.
A satisfação que sentia em poder visitar com rapidez suas igrejas, aliada a delirante sensação de estar voando como um pássaro, permitiram que ele ficasse muito empolgado com essa nova fase do seu trabalho beira-rio. Um dia, ao chegar em casa após uma das suas viagens, declarou algo que pensou ser de pura inocência. Fitou os olhos da sua esposa e disse: "Amo tanto estar no ar, que acho que seria uma maneira gloriosa de um dia morrer, dentro de um avião". Ele se impressionou tanto com essa sensação, que repetiu essa frase mais algumas vezes para vários amigos e pastores que trabalhavam no seu ministério.
Após alguns meses viajando no seu aviãozinho, aconteceu o primeiro desastre. Enquanto estava no ar, perdeu o controle do avião e, caindo, chocou-se contra o rio. O avião foi destruído, mas ele sobreviveu! Mesmo assim, não ponderou sobre o elo entre suas palavras de morte gloriosa num avião e o acidente que sofrera. Continuou a dizer a mesma coisa e, ao conseguir comprar outro avião com o dinheiro do seguro que havia feito, voltou a pilotar com o mesmo ânimo.
No ano seguinte aconteceu o seu segundo desastre aéreo, semelhante ao primeiro. O avião bateu na água de novo e, mais uma vez, foi destruído. O pastor continuou a pilotar, após a aquisição do terceiro avião, sem quebrar as palavras de morte que tinha proferido sobre si mesmo.
Na terceira vez em que o avião caiu, ele realizou o seu objetivo de morte "gloriosa", e faleceu. Eu tenho certeza que as primeiras duas quedas foram avisos de Deus para que tivesse uma chance de retirar suas palavras de morte, mas ele não prestou atenção aos avisos e foi estar com o Senhor. Por ter um ministério importante, que ganhava muitas almas para o Senhor Jesus, foram dadas ao pastor duas chances para mudar as suas palavras, mas ele não o fez.
Esse servo de Deus era um homem íntegro, de fé e oração, mas não entendia o princípio sobre o poder das nossas palavras. Ele teve uma morte precoce porque foi desleixado com o que saiu da sua boca. Com certeza, ainda tinha muito a fazer para o Reino de Deus, mas abriu uma brecha na sua vida para o ataque de Satanás por não levar a sério aquilo que dizia. Achava romântico, e provavelmente um tanto corajoso, falar que seria legal morrer assim. Mas sem perceber, estava desde aquele momento abrindo um espaço para trazer à realidade os seus dizeres.
E o mais lamentável é que mesmo tendo proferido palavras de morte sobre si mesmo, havia esperança, havia solução. Palavras uma vez faladas não podem ser retiradas, isso é uma verdade, mas podem ser anuladas através de novas declarações. Se esse pastor africano tivesse acordado para o ímpeto do que dizia, poderia ter quebrado esse poder de morte liberado sobre si mesmo. Ele poderia ter falado: "Não vou morrer em um desastre de avião. A partir de agora, quebro a maldição que lancei contra mim mesmo sem perceber, e declaro que vou morrer na minha cama, de velhice, após desempenhar tudo o que Deus me chamou para fazer". Se tivesse feito isso, tenho certeza que hoje ele estaria vivo, trabalhando para o Senhor que tanto amava.
Tome extremo cuidado com o que você fala! Esse poder para trazer morte e destruição não existe apenas para os que estão vivendo em pecado, longe de Deus. Pessoas consagradas, tementes a Deus e com uma vida correta podem também trazer a sua própria morte antes da hora, por causa da imprudência verbal. Por isso, precisamos ter um incrível zelo com as declarações que saem das nossas bocas, que devem ser sempre palavras de bênção e de vida, e não de ruína e morte.
Fonte: O Poder da Língua - Gary Haynes