quinta-feira, 28 de junho de 2012

Meu direito de ser triste


Fonte: Cristianismo Hoje
Tentamos fugir da tristeza porque ela traz dor e desconforto. No entanto, há também beleza e crescimento no caminho da dor.
Pego emprestado o titulo de um artigo do psiquiatra infantil, Oswaldo Di Loretto para falar do quanto tendemos a fugir das tristezas que são naturais no decorrer da vida. Nos tempos bíblicos do Antigo Testamento, o pranto fazia parte da cultura israelita. Era comum as pessoas aparecerem em público vestidas com panos de saco e com cinzas sobre a cabeça, como sinal de uma tristeza profunda decorrente do luto ou de um drama humanamente sem solução. Todos respeitavam a atitude, e muitos eram solidários ou se identificavam com o sofredor. Ou seja, havia um espaço na vida das pessoas para se entristecer e aceitar a tristeza do outro.
O tempo passou, alguns hábitos foram extintos e novas posturas ganharam espaço. Hoje, vivemos uma época em que a tristeza é vista como um mal que deve ser evitado a todo e qualquer custo. Isso fica claro quando não queremos contar a verdade sobre um diagnóstico de doença terminal e usamos argumentos paliativos em relação ao doente, ou quando oferecemos calmantes a alguém antes de contar da morte de um amigo ou parente próximo. Em muitos cultos religiosos, os fiéis são até estimulados a jogar a tristeza fora, como se o abatimento e a angústia fossem sentimentos prejudiciais e não aceitos por Deus.
E o problema começa bem cedo. As crianças não têm a permissão para ficarem tristes. Os pais sempre dão um jeito de arrumar algum entretenimento para o pequeno que quebrou o brinquedo favorito ou perdeu o bichinho de estimação; rapidamente, o filho choroso é contemplado com um novo brinquedo ou outro animal, sem ter tempo para internalizar o sofrimento e amadurecer diante da dor da perda. Pior ainda é quando se oferece um chocolate ou bala para a criança entristecida, como que querendo “adoçar” algo que deve ser vivenciado, e não camuflado. No caso dos adultos, é grande o arsenal de drogas medicamentosas que têm a capacidade de amenizar e bloquear a tristeza, promovendo uma alegria mecanizada e sem contentamento. Em nossa sociedade, toda manifestação de tristeza é vista como um tipo de depressão que precisa ser medicada.
Esquecemo-nos, contudo, que quem não consegue vivenciar a tristeza em toda sua profundidade também não conseguirá sentir a alegria em toda sua intensidade. Engana-se quem pensa que só a alegria expressa satisfação e contentamento na vida. É possível experimentarmos a tristeza, mesmo que intensa, e ainda assim revelarmos um coração satisfeito e contente, produzindo tesouros para nós mesmos e para os outros. “A poesia nasce da tristeza”, diz Rubem Alves.
Todos, mais cedo ou mais tarde, passaremos por tristezas. Algumas serão leves e passageiras; outras, profundas, como as perdas trágicas e inesperadas. Outros carregarão sempre uma história de privação e desamparo. Porém, podemos reconhecer as dores vividas e encontrar, no lamento – às vezes, milagrosamente –, cicatrização das feridas. Claro, tentamos fugir da tristeza porque é um sentimento que traz dor e desconforto. No entanto, há também beleza e crescimento no caminho da dor. A compaixão, a misericórdia, a ternura e o amor são desenvolvidos com muito mais profundidade por aqueles que se abrem e corajosamente vão até o fim no processo de se entregar às situações de profunda tristeza, estejam elas presentes ou circunscritas ao passado.
Salomão, rei de Israel nos tempos bíblicos e tido como um homem extremamente sábio, descobriu essa realidade. São dele as palavras: “A tristeza é melhor do que o riso, porque o rosto triste melhora o coração”. Cristo, por sua vez, experimentou o pranto publicamente, quando chorou a morte de seu amigo Lázaro. A caminho do Calvário, o Filho de Deus entristeceu-se profundamente diante da perspectiva de tamanho sofrimento. Em outras ocasiões, contudo, ele foi a festas e alegrou-se com seus discípulos. Então, podemos concluir que tanto a tristeza quanto a alegria são sentimentos que fazem parte do ser gente.
Quem conhece a tristeza no próprio ser sabe acolher as pessoas que passam pela dor. Gente assim consegue aceitar, respeitar e criar espaços para que aqueles que derramam lágrimas de tristeza, seja lá qual for a razão, possam se vestir de “saco e cinzas”, sem censura.
 Todos, mais cedo ou mais tarde, passaremos por tristezas. 

terça-feira, 26 de junho de 2012

Jesus e a Igreja


Tendo Jesus chegado às regiões de Cesaréia de Felipe, interrogou os seus discípulos, dizendo: Quem dizem os homens ser o Filho do homem? Responderam eles: Uns dizem que é João, o Batista; outros, Elias; outros, Jeremias, ou algum dos profetas. Mas vós, perguntou-lhes Jesus: quem dizeis que eu sou?  Respondeu-lhe Simão Pedro: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. Disse-lhe Jesus: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelou, mas meu Pai, que está nos céus.  Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela; dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares, pois, na terra será ligado nos céus, e o que desligares na terra será desligado nos céus. Então ordenou aos discípulos que a ninguém dissessem que ele era o Cristo.
                                                                                                                          Mateus 16: 13-20

Sendo um ponto fundamental da doutrina cristã, líderes religiosos têm feito um esforço muito grande no sentido de tornar mais clara a compreensão que se precisa ter de Igreja. Vamos ver o que a Bíblia ensina sobre este edificante tema, tendo em mente que não se trata de denominação, mas da Igreja de abrangência universal, fundada por Jesus.

I - SIGNIFICADO DE IGREJA
 A igreja é composta por aqueles que se submeteram ao senhorio de Jesus.
Na língua original do NT, o termo igreja (ekklesia) significa “chamados para fora”, aludindo à saída do povo que nas cidades gregas eram convocados para sair de suas casas para se reunir em assembléias populares. Em nossa língua “Igreja” (do latim, eclesia) significa um ajuntamento ou reunião de pessoas. No Novo Testamento a palavra é citada 115 vezes, sendo que a primeira vez foi Jesus quem a mencionou, no texto de Mt. l6: 18.
“Chamados para fora” é um significado que liga a Igreja a um clima missionário. Em João 15: 16. Jesus começa explicando que não fomos nós quem escolhemos a Ele, aludindo à incapacidade humana para enxergar os planos de salvação divina. Em seguida Ele declara que nos escolheu, confirmando o que fora feito aos discípulos. Por último Ele, então, explica que nos designou para que fôssemos e déssemos frutos e estes frutos permanecessem.
Quando Ele diz que nos escolheu, Ele está nos “chamando”; quando diz que fez isto para que fôssemos (vades), Ele está nos tirando para fora de nossas casas ou de nossos aconchegos pessoais; quando Ele diz que esta saída era para dar fruto, está confirmando que a Igreja é chamada para a maior tarefa de todos os tempos: levar avante o evangelho a toda a terra, antes que venha o fim, Mt. 24: 14.

II - JESUS AMA SUA IGREJA
O relacionamento de Jesus com sua Igreja tem um caráter bastante protetor e afetivo.
a)  Em João 17: 15 temos uma referência à afetividade de Jesus quando Ele diz: “Não peço que os tires do mundo; e, sim, que os guardes do mal". Jesus, na dedicação que já possuía pelos seus, rogava carinhosamente ao Pai que os livrasse do mal, ao mesmo tempo em que pediu nossa não retirada do mundo, entendendo, é claro, a necessidade de nos manter aqui a seu serviço.
b) Em Efésios 5: 23-30, temos uma comparação amorosa de Jesus, num outro vislumbre de seu relacionamento afetivo com a igreja. Paulo compara a Igreja a uma mulher em sua submissão ao marido e vice-versa. Muito embora este texto aborde mais precisamente o lar cristão, ele nos permite ver como Jesus considera sua Igreja e seu cuidado por ela. Notem que com respeito ao marido e seu domínio sobre a mulher, Jesus é apontado por Paulo como “cabeça” da igreja. Cl. 1: 18.  O verso 25 de Ef. 5 afirma que os maridos devem amar as suas mulheres, assim como Cristo “amou” a sua Igreja e a si mesmo se entregou por ela. Não há dúvida sobre o grande amor de Jesus por sua Igreja.

III - JESUS, O FUNDAMENTO DA IGREJA
O texto básico desta lição é o episódio de Pedro e sua confissão vibrante a Jesus. Veja que Jesus fez duas perguntas, Mt 16: 13-16. Primeiro, Jesus faz uma espécie de pesquisa, algo que tomo a liberdade de classificar como a pergunta do missionário: “O que diz o povo ser o Filho do homem?” Seria, o mesmo que perguntar: “qual tem sido a concepção do povo a meu respeito?” “Será que eles sabem quem sou eu?” Em seguida, Ele deseja saber a opinião sobre o mesmo assunto mas agora dos discípulos: “e vós, quem dizeis que eu sou?“
Destas duas perguntas de Jesus, depende o que vamos entender por Igreja porque, se eu estou fazendo algo para Jesus, sem convicção do meu empenho, então estou enganando a mim mesmo e me deixando lesar tolamente. Preciso saber onde estou com os pés e que concepção tenho de Cristo, antes de querer que os outros saibam sobre ele.
Quando Pedro declarou a divindade de Jesus, sendo felicitado pelo Mestre, foi feita a referência à pedra que ele representava por sua FÉ em Jesus. Mas não há aqui nem de longe qualquer fundamento para a instituição do papado. A verdade aqui é bem diferente: Jesus estava declarando a Pedro que era bendita a sua firmeza e convicção sobre o próprio Jesus.
Não há nenhuma dúvida sobre quem seria a pedra fundamental daquela meta, porque Jesus falava da fé de Pedro e de tantos outros que, como ele, pudessem crer na sua Pessoa. Portanto, Jesus é a pedra principal, a pedra de esquina, e nós, os que cremos,  somos “pedras edificadas espiritualmente, para o sacerdócio de Deus”, I Pe. 2: 5.
Paulo, numa abordagem sábia aos coríntios, fala àqueles cristãos orientando-os a respeito do fundamento único que é Cristo. Ele diz que ninguém pode lançar outro fundamento, além do que já foi posto, o qual é Cristo Jesus. I Cor. 3: 1. E, nesta admoestação, comenta sobre como devemos edificar sobre a fé em Jesus.

IV. ALGUMAS RAZÕES POR QUE JESUS FUNDOU A IGREJA
Consideremos por que Jesus fundou sua Igreja:
a) Para que se santificasse. O texto de Efésios 5: 26 declara: “Para que a santificasse, tendo-a purificado no meio da palavra“. Notem que o “para”, que marca este verso, aponta o objetivo da relação amável entre Cristo e a Igreja. E qual era? A santificação e a purificação que ela precisa ter.
b) Para que fosse perfeita. A Igreja deve apresentar-se a Cristo como uma noiva sem mancha, nem ruga; gloriosa e sem defeito algum.
c) Para que fosse produtiva, Jo. 15: 1-7. Jesus quer a expansão do seu reino e com ele a salvação de todos os homens. Daí a necessidade de evangelismo e do discipulado.



segunda-feira, 25 de junho de 2012

Jesus, o Verbo encarnado João 1: 1-15



Conhecer sua origem e permanência entre nós consolida nossa fé. Saber que Jesus esteve conosco estabelece motivação para vencermos as constantes lutas que enfrentamos.
Deus reservou aos homens o melhor de sua glória ao planejar o envio de seu Filho ao mundo. Toda a experiência de uma pessoa com Jesus em seu início é raza, levando em conta a dureza dos nossos corações, gerada pelo pecado. No entanto, a perseverança e firmeza neste propósito leva-nos a dimensões consideráveis desta fonte de vida e poder que o relacionamento mais íntimo de Jesus com os homens oferece.

I - O VERBO E SUA ORIGEM
O Evangelho de João é o canal de Deus para nos fazer compreender sobre a presença de Jesus, o Verbo divino, entre homens. Jesus não é uma criatura de Deus. Uma coisa é avaliar, através da Bíblia, nas citações dos apóstolos, a magistral encarnação do Verbo entre nós; outra é poder, na mesma Bíblia, ouvir Jesus falando com seus próprios lábios, identificando-se como aquele que sempre foi, sempre é, e sempre será o Filho glorificado que, mesmo tendo deixado a glória momentânea, providencialmente retornou com honras. De forma clara vemos isso na oração sacerdotal, quando Ele mesmo confirma sua existência eterna: “antes que houvesse mundo", Jo 17: 5. 
a)   A origem. Enquanto os três outros Evangelhos iniciam-se falando sobre o nascimento de Jesus, João, indo muito mais distante, revela sua existência antes da criação: “No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus... e o Verbo era Deus”, 1: 1. Refere-se a um tempo a que chama de princípio que, em consonância com Gn. 1: 1, também revela um tempo ocorrido antes da obra criadora de Deus, Col. 1: 17.
b) O propósito. Isso nos leva a entender o grande amor de Deus e seus desígnios. Podemos saber que Deus não se assentou no vazio de uma terra sem forma para comandar o nada, mas planejou a sua obra e a estabeleceu para fazer o homem coroa de sua criação e que nisto sentiu prazer e deleite. Ef. 3: 9 aponta também para este princípio quando diz: “desde os séculos oculto em Deus...
c) A visão dos profetas. Antes da encarnação de Jesus, sua vinda era contemplada, crida e aceita pela fé. Isaías disse que o povo que andava em trevas (os perdidos) viu uma grande luz, Is. 9: 2.

II - A ENCARNAÇÃO DO VERBO
Depois de considerar a existência e capacidade do Verbo, João passa a mostrar em síntese o processo completo de sua humanização, usando duas palavras: verbo e luz.
a) Luz dos homens. Primeiro fala da presença do Verbo com Deus, sendo Deus, agindo como Deus, para depois falar da luz, no extraordinário verso 4. Nesse ponto Deus está graciosa e generosamente voltando-se para o homem. Luz é um termo para homens, é vida, e contrasta com trevas, a morte eterna. Luz é algo novo, que contrasta com a idéia de antiguidade expressa por “no princípio”.
b) Habitou entre os homens. O verso 14 relata uma das mais conhecidas citações em toda a Bíblia: “0 Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos sua glória, glória como do unigênito do Pai.” Além de outras grandes lições, esta passagem deixa claro o ponto básico deste estudo: a encarnação do Verbo. Recebeu forma humana e tabernaculou entre os homens. Que fato extraordinário quando visto de nossa frágil perspectiva: um Deus tão gigante e glorioso se digna assumir de forma mais direta e envolvente possível a nossa conjuntura desgastada. E apresentou-se cheio de graça e de verdade entre os homens.
c) O nascimento. Assim, em Lc. 1: 31-35 temos a mensagem do anúncio do nascimento de Jesus a Maria, como uma introdução maravilhosa, onde Deus, por causa de sua santidade e propósito, revela que Maria ficaria grávida pelo Espírito Santo. O texto de Lc. 2 : 7 registra o nascimento em seu momento preciso: “E ela deu à luz...” concretizando a encarnação majestosa.
d) O nome Jesus. Deus nunca precisou, no tocante a si mesmo, de nome ou nomes para ser visto. Mas já que o propósito da intervenção de Deus, no que se refere à salvação, era Jesus, então uma identidade divina entre os homens precisava ser alcançada. E por isto Deus ordenou ao seu anjo que levasse a Maria o nome que o seu Filho obteria na terra: Lc. 1: 3. Jesus, no hebraico, quer dizer salvador.

III - O CARÁTER DO VERBO
Depois de ter considerado a origem e a encarnação do Verbo, para conhecê-lo melhor, vejamos agora o seu caráter, baseados no texto de Cl. 1: 15-17.
a) A imagem visível. O v. 15 diz que Jesus é a imagem do Deus invisível, apontando para a revelação do próprio Deus, pois a expressão imagem está ligada também à encarnação, ou seja, é uma forma humana de se ver Deus.
b) Primogênito. Termo que Paulo usa para definir a característica de Jesus como aquele que se revela ao mundo e pode ser percebido por aqueles que crerem nEle.
c) Criador. Termo usado para se referir a Jesus, v.16, confirmando sua participação na obra criadora. Todavia mais excelente aqui é o destaque sobre sua relevância sublime no céu. Se admitimos que Ele também estava no princípio e que é feitor de todas as coisas, admitimos também que é poderoso pela e entre as obras que fez. De fato, o v. 17 informa sobre sua preexistência e salienta o seu domínio. Isso está claramente confirmado em Hb 1: 2-3, onde o desconhecido escritor aborda também, além da revelação que nEle consiste, a excelência do seu nome, e sua superioridade entre os anjos.
Prossigamos sem temor, depois de termos entendido a grandeza de Deus, e de como se revelou através de seu Filho  que se encarnou, favorecendo-nos em nossa salvação.




A Cruz de Cristo



Sexta-feira da Paixão é a data tradicionalmente relembrada como sendo o dia em que Cristo foi crucificado.

A morte de Cristo na cruz é um fato central para o cristianismo. É interessante que é da palavra latina "cruz" que vem a palavra "crucial", isto é, central, importante. Para os budistas, não importa muito como Buda faleceu, mas faria toda a diferença do mundo para os cristãos se Jesus tivesse morrido de um ataque cardíaco nas praias do Mar da Galiléia.

A cruz é o símbolo universal do cristianismo, mesmo num mundo onde mais e mais ela tem perdido o seu significado. Numa pesquisa recente feita na Austrália, Alemanha, Índia, Japão, Reino Unido e Estados Unidos, ficou claro que o símbolo da MacDonalds (o arco dourado) e o da Shell (uma concha amarela) eram muito mais conhecidos do que a cruz. 92% das pessoas reconheceram os cinco anéis como símbolo dos Jogos Olímpicos e 88% reconheceram o símbolo do MacDonalds e da Shell. Mas somente 54% identificaram a cruz como sendo o símbolo do cristianismo.

Muitos dos que a identificam ofendem-se com ela. A cruz de Cristo é motivo de ofensa para muitos hoje, como foi na época em que os primeiros cristãos começaram a falar dela como o caminho de Deus para a salvação. O apóstolo Paulo escreveu: "Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus . . . nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios" (1 Coríntios 1:18,23). A feminista Dolores Williams é um exemplo moderno de pessoas que se ofendem com a cruz. Ela declarou: "Acho que não precisamos de uma teoria em que os pecado têm que ser pagos pela morte de alguém. Acho que não precisamos de um cara pendurado numa cruz, sangrando, e outras coisas desse tipo".

Podemos compreender a repulsa natural que as pessoas sentem. A execução por morte de cruz era algo terrivelmente cruel. Na verdade, era sadismo legalizado. Foi provavelmente uma das formas mais depravadas de execução jamais inventada pelo homem. Nada mais era que morte lenta por tortura. E realmente funcionava. Ninguém jamais sobreviveu a uma crucificação.

Mas para os que crêem, a cruz faz perfeito sentido. A salvação do homem só pode ocorrer através de uma satisfação dada à lei de Deus, que o homem quebrou e tem quebrado sempre. Somente Deus pode perdoar. Mas somente o homem pode pagar. Cristo colocou-se no lugar do homem, como representante dos que crêem, e sofreu a penalidade merecida, satisfazendo a justiça divina. Até mesmo pensadores não cristãos afirmam a necessidade da punição merecida. O pesquisador C. A. Dinsmore examinou as obras de Homero, Sófocles, Dante, Shakespeare, Milton, George Elliot, Hawthorne e Tennyson, e chegou à seguinte conclusão: "É um axioma universal na vida e no pensamento religioso que não pode haver reconciliação sem que haja satisfação dada pelo pecado".

Portanto, para os que crêem, a cruz é mais que um símbolo a ser levado no pescoço ou pendurado nas paredes da igreja. É o caminho de Deus para salvar todo aquele que crê.

Quando a Igreja esquece o sentido da cruz, ela se desfigura. Ouçamos as palavras de Erwin Lutzer, em seu livro A Cruz de Hitler (1994): "Se as fornalhas de Auschwitz foram preparados nos corredores das universidades da Europa, podemos dizer também que aquelas fornalhas foram alimentados pela teologia liberal que dominou as igrejas e a teologia da Europa. Essa teologia glorificava o homem e declarava que Deus era irrelevante. Esse tipo de ensino amputou a capacidade da Igreja de tomar uma posição firme contra as atrocidades do Terceiro Reich. Ao substituírem a revelação de Deus contida nas Escrituras por ideais humanos, acabaram por reinterpretar a cruz de Cristo e usá-la para levar adiante uma agenda pagã."

Queira Deus sempre nos manter conscientes da cruz de Cristo e do seu sentido

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Princesa Rejeitada



E Davi dançava com todas as suas forças diante do Senhor; e estava Davi cingido dum éfode de linho. Assim Davi e toda a casa de Israel subiam, trazendo a arca do Senhor com júbilo e ao som de trombetas. Quando entrava a arca do Senhor na cidade de Davi, Mical, filha de Saul, estava olhando pela janela; e, vendo ao rei Davi saltando e dançando diante do senhor, o desprezou no seu coração.  Introduziram, pois, a arca do Senhor, e a puseram no seu lugar, no meio da tenda que Davi lhe armara; e Davi ofereceu holocaustos e ofertas pacíficas perante o Senhor. Quando Davi acabou de oferecer os holocaustos e ofertas pacíficas, abençoou o povo em nome do Senhor dos exércitos. Depois repartiu a todo o povo, a toda a multidão de Israel, tanto a homens como a mulheres, a cada um, um bolo de pão, um bom pedaço de carne e um bolo de passas. Em seguida todo o povo se retirou, cada um para sua casa. Então Davi voltou para abençoar a sua casa; e Mical, filha de Saul, saiu a encontrar-se com Davi, e disse: Quão honrado foi o rei de Israel, descobrindo-se hoje aos olhos das servas de seus servos, como sem pejo se descobre um indivíduo qualquer. Disse, porém, Davi a Mical: Perante o Senhor, que teu escolheu a mim de preferência a teu pai e a toda a sua casa, estabelecendo-me por chefe sobre o povo do Senhor, sobre Israel, sim, foi perante Senhor que dancei; e perante ele ainda hei de dançar Também ainda mais do que isso me envilecerei, e me humilharei aos meus olhos; mas das servas, de quem falaste, delas serei honrado.
E Mical, filha de Saul não teve filhos, até o dia de sua morte.
                                                                                                           2 Samuel 6: 14 -23

A bíblia é cheia de figuras, símbolos e tipos e como estudantes da Palavra de Deus devemos cuidar para não excedermos na interpretação bíblica. Quando nos deparamos com esse texto bíblico vemos a história do retorno da arca de Deus a Israel, um momento de muita festa em que o Rei Davi se alegra junto com o povo, dança diante da arca em louvor a Deus, entoa cânticos e os sacerdotes fazem sacrifícios, o Rei despe de suas vestes e torna-se um no meio da multidão.
Quando Davi chega em casa alegre com o retorno da arca de Deus que simbolizava a presença de Deus no meio do povo, creio que querendo compartilhar com sua esposa de sua alegria e nesse momento é repreendido por sua esposa, por ter deixado suas vestes reais e portado-se como mais um em meio a multidão.
E diante desse relato quero separar a figura de Davi que buscou a arca de Deus  e trouxe a “glória de Deus” para o meio do povo, a figura de Davi  se assemelha a Jesus que por meio do seu sacrifício trouxe para o povo a glória de Deus que não veio ao nosso meio por sacrifícios de cordeiro e sim pelo seu próprio sacrifício, Davi que recebeu Mical como esposa após vencer  o gigante Golias, Jesus recebeu a esposa igreja após vencer o diabo ressurgindo dos mortos e pagando o preço por nossos pecados, a atitude de Mical fez com que ela fosse rejeitada por Davi e pelo próprio Deus.
Então você igreja do Senhor Jesus não seja como Mical para não ser rejeitado, abrace  a oportunidade de alegrar-se com a glória de Deus em  nosso meio, dance para o Rei e com o rei, pois o sacrifício já foi feito agora é só aguardar o tempo onde todos estaremos unidos na cidade santa adorando a Ele.

Pastor Sebastião Luiz Chagas

AMULETO


O Dicionário Aurélio diz: AMULETO é “pequeno objeto (figura, medalha, figa, etc.) que, desde a mais alta antiguidade, alguém traz consigo ou guarda por acreditar em seu poder mágico passivo de afastar desgraças ou malefícios”; FETICHE é “objeto animado ou inanimado, feito pelo homem ou produzido pela natureza, ao qual se atribui poder sobrenatural e se presta culto”; SUPERSTIÇÃO é “sentimento religioso baseado no temor ou na ignorância, e que induz ao conhecimento de falsos deveres, ao receio de coisas fantásticas e à confiança em coisas ineficazes”.
Dentre os diversos tipos de amuletos (olho de boto ou do peixe-boi; a ferradura, a meia-lua, a estrela-de-davi) a figa é o que alcançou maior popularidade. Usada para combater a esterilidade e o mau-olhado, é representada por uma mão humana fechada com o polegar entre os dedos indicador e médio. Enfim, amuleto é uma figura, medalha ou qualquer objeto portátil, qualquer coisa a que supersticiosamente se atribui virtude sobrenatural para livrar seu portador de males materiais e espirituais, e para propiciar benefícios nessas áreas.
Ao aceitarmos o senhorio de Jesus, recebemos o Espírito Santo (1Co 6.19 Ef 1.13); nossos pecados são perdoados (Atos 10.43; Rm 4.6-8); somos recebidos como filhos de Deus (Jo 1.12); se somos filhos, logo somos também herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo (Rm 8.17); passamos da morte espiritual para a vida espiritual (1 Jo 3.14); somos novas criaturas (2 Co 5.17); o diabo se afasta e não nos toca (Tg 4.7; 1 Jo 5.18); não estamos mais sujeitos às maldições (Jo 8.32,36); podemos usar o nome de Jesus para curar enfermos e expulsar demônios (Mc 16.17-18); a salvação nos leva a um relacionamento pessoal com nosso Pai e com Jesus como Senhor e Salvador (Mt 6.9; Jo 14.18-23); estamos livres da ira vindoura (Rm 5.91 Ts 1.10), além de fazermos jus a outras promessas,
Em razão disso, somente o retorno voluntário ao pecado poderá alterar a nossa situação diante de Deus. O uso de qualquer objeto, seja no corpo, seja em nossa casa, não melhora em nada a nossa condição de filho, de herdeiro, de abençoado, de isento das investidas do diabo. Objetos não expulsam demônios, não quebram maldições, não substituem o poderoso nome de Jesus.
O nome de Jesus não pode ser substituído por um objeto ou um produto industrializado. O uso de amuletos evidencia não uma atitude de fé, mas de falta de fé. Deus não opera por esse meio, sejam cordões, pulseiras, pirâmides, cristais, velas ou qualquer outro produto. A Bíblia não apóia tal prática. A atitude de fé é o esperarmos no Senhor e nEle confiarmos. Alegremo-nos no Senhor e Ele nos concederá os desejos do nosso coração (Salmos 23.1; 37.4-7).
A nossa confiança deve ser depositada no Senhor. “Bem-aventurado o homem que pôe no Senhor a sua confiança” (Sl 40.4). Se dividirmos a nossa fé entre Deus e os amuletos, estaremos coxeando entre dois pensamentos. Não é esta uma manifestação de fé, mas de incredulidade, de dúvida nas promessas de Deus. E a dúvida é inimiga da fé (Mt 21.21). “Abraão não duvidou da promessa de Deus, deixando-se levar pela incredulidade, mas foi fortificado na fé, dando glória a Deus, estando certíssimo de que o que ele tinha prometido também era poderoso para cumprir” (Rm 4.20-21). Abraão creu na promessa de que seria pai de muitas nações. Aguardou confiantemente. Não apelou para objetos, amuletos, cordão, pulseiras, vassoura atrás da porta.
Os amuletos, longe de serem veículos de bênçãos, podem trazer maldições, porque a fé não está centralizada exclusivamente em Deus. Podemos ler Isaías 13.1 assim: Ai dos que confiam no poder místico dos amuletos, mas não atentam para o Santo de Israel, nem buscam ao Senhor. O uso de amuletos pelo povo de Deus equivale a tomar o caminho de volta para o Egito. As nossas superstições foram deixadas no esquecimento. Não precisamos limpar nossos olhos com óleo ungido para não vermos as coisas do mundo. Nós, pela ação do Espírito em nossas vidas, já morremos para essas coisas, para o sistema mundano, para o pecado. O Espírito que em nós opera não nos permite colocar coisas impuras diante de nossos olhos (Salmos 101.3).
Os objetos, ou qualquer tipo de material seja sólido ou líquido, do reino mineral ou do reino vegetal, não servem para aumentar a fé dos cristãos. O que transmite fé, o que proporciona fé, o que dá origem à fé, é a palavra de Deus (Rm 10.17). Jesus não distribuiu qualquer tipo de objeto para melhorar a fé de seus ouvintes. Nos primeiros passos da Igreja, vemos Pedro e demais apóstolos anunciando insistentemente o Cristo vivo, e falando com paciência dos mistérios de Deus e das palavras de Jesus. E todos se enchiam de alegria, e milhares aceitavam o Evangelho. “Disse-lhes Pedro: arrependei-vos, e cada um seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados. E os que com grado receberam a sua palavra foram batizados, e naquele dia agregaram-se quase três mil almas” (Atos 2.38-41).
O uso de amuletos é incompatível com a vida cristã e não proporciona prosperidade material ou espiritual a ninguém. Quem deseja viver uma vida de paz e de abundância deve buscar “primeiro o reino de Deus e a Sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6.33; Jo 10.10). Para viver a sua fé o cristão não precisa de figas, de cordão de ouro, varinha mágica, porque as maldições não prevalecem contra nossas vidas. “Como o pássaro no seu vaguear, como a andorinha no seu vôo, assim a maldição sem causa não encontra repouso” (Pv 26.2). A maldição nos alcança se não estivermos sob a proteção de Deus, se não confiarmos nEle, se estivermos em pecado.
A fé cristã rejeita o uso de qualquer objeto com o propósito de obter favores espirituais ou evitar a influência demoníaca. Do Egito já viemos. Das superstições já nos libertamos. Do jugo do opressor já estamos livres. Da Babilônia espiritual já saímos. Cristo quebrou na cruz todas as amarras, grilhões, embaraços; quebrou os fortes laços que nos prendiam ao mundo das trevas (Gl 3.13). Um irmão escreveu num fórum de debate: “Deus nos fez livres, livres de contatos físicos para O sentir, livres de pontos de apoio, para crer, livres de toda e qualquer espécie de superstição e amuletos, livres para crer num Deus que tudo supre, tudo faz, tudo opera naqueles que o amam”.
Quando estávamos na ignorância espiritual, fazíamos uso de incensos e defumadores para afastar os maus espíritos. A Bíblia nos dá a receita: “Submetei-vos, pois a Deus. Resisti ao diabo, e ele fugirá de vós” (Tg 4.7).
“Cristo nos libertou para que sejamos de fato livres. Estai, pois, firmes e não torneis a colocar-vos debaixo do jugo da escravidão” (Gl 5.1).


quinta-feira, 21 de junho de 2012

Pesquisa revela que depressão é um dos principais motivos pelos quais pastores tem se afastado Leia mais: http://enfoquegospel.com/atualidade/pesquisas-estudosPesquisa revela que depressão e um dos principais motivos pelos quais pastores tem se afastado


Por  em Jun 11 2012. Arquivado em Pesquisas & Estudos


Pesquisas americanas têm mostrado recentemente que grande quantidade de pastores terminam sofrendo de baixa autoestima e depressão ao longo de seus ministérios.
Segundo estatísticas compiladas de estudos do Instituto Fuller, Instituto de Pesquisas George Barna e Site Pastoral Care Int. por Jim Fuller, pelo menos 45,5% dos pastores pesquisados nos Estados Unidos, disseram que estão deprimidos.
Além disso, 70% afirmaram que sofrem de baixa autoestima e 85% que estão cansados de lidar com o problema de outras pessoas, incluindo de líderes da própria igreja.
Em uma matéria do Cristianismo Hoje, pastores brasileiros revelaram as causas de suas angústias e como desistiram dos púlpitos temporariamente ou permanentemente.
O pastor evangélico da Igreja Presbiteriana Independente, José Nilton Lima Fernandes, 41 anos, afirmou que depois de longo tempo como pastor, passou a duvidar de seu chamado pastoral.
Fernandes, que começou liderança da mocidade já aos 16 anos e depois pastoreou uma igreja pentecostaltambém, diz que experimentou intrigas, desgastes por causa da “estrutura de corrupção” e outras dificuldades que o levaram a um enfraquecimento emocional e queda no seu casamento.
A situação o levou a pedir uma licença da igreja, passando a exercer desde 2011, outras funções, no meio secular.
“Acho possível servir a Jesus, independentemente de ser pastor ou não”, afirmou ele à revista.
Nilton acabou casando-se novamente e retornou aos púlpitos em uma outra igreja, não descartando a possibilidade de um outro “freio”.
Segundo a publicação, outras pesquisas nos Estados Unidos, como a do ministério LifeWayapontaram que muitos dos pastores se sentiam solitários em seus ministérios e reclamaram de problemas.
Outras pesquisas já mostraram que o abandono dos pastores ocorre por causa de desvios morais, esgotamento espiritual ou conflitos dentro da igreja.
Segundo o diretor da Faculdade Teológica Batista de São Paulo, Lourenço Stélio Rega, quase metade dos alunos que iniciam a Faculdade de Teologia desistem antes de acabar o curso.
Rega afirma que muitos percebem que a luta e as dificuldades não são provisórias, mas sim uma constante durante a vida ministerial. De acordo com ele, a própria Bíblia antecipa isso.
Gedimar de Araújo, pastor da Igreja Evangélica Ágape, no Espírito Santo, resume a situação desta maneira: “O ministério é algo muito sério”.
“Se um médico, um advogado ou um contador erram, esse erro tem apenas implicação terrena. Mas, quando um ministro do Evangelho erra, isso pode ter implicações eternas”, disse ele, de acordo com a revista.

Fonte: Enfoque Gospel

MASCARAS (RETIRANDO O VÉU)



“o qual também nos fez idôneos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do espírito; pois a letra mata, mas o espírito vivifica. Se, porém, o ministério da morte, escrito, e gravado em pedras, se revestiu de tanta glória, que os filhos de Israel não podiam fitar os olhos no rosto de Moisés em razão da glória do seu rosto, a qual se estava desvanecendo, como não será mais glorioso o ministério do espírito?  Se o ministério da condenação era glória, muito mais excede em glória o ministério da justiça. Na verdade, o que foi feito glorioso, não o é neste respeito, por causa da glória mais excelente. Pois se aquilo que se desvanece era glorioso, muito mais glorioso é o que permanece. Tendo, então, tal esperança, usamos de grande franqueza, e não somos como Moisés, que punha um véu sobre o seu rosto, para que os filhos de Israel não fixassem os olhos no final daquilo que se desvanecia. Mas as suas mentes foram endurecidas. Pois até o dia de hoje, na leitura da antiga aliança, permanece o mesmo véu, não lhes sendo revelado que em Cristo é ele tirado. Contudo até o dia de hoje, sempre que lêem a Moisés, está posto um véu sobre o coração deles;  todas as vezes, porém, que algum deles se converter ao Senhor, o véu lhe é tirado. Ora o Senhor é o Espírito; e onde há o Espírito do Senhor, aí há liberdade". (2Co 3:6 – 17)

Quem verdadeiramente somos? Quais nossas atitudes diante das dificuldades e desafios? O que passamos para os outros? Mantemos a mesma postura em todo tempo?
Um texto que ilustra bem o engano que sofremos e muitas vezes também passamos:
“ Neste mundo de disfarces e máscaras, o mais puro torna-se confuso e fica difícil distinguir o real do trivial, o banal do essencial. Às vezes uma zanga é mais honesta que um sorriso difarçado de mentira, uma palavra dura é mais sincera que um carinho ficticio que se dissolve na rotina da vida. Às vezes não damos valor a honestidade das pessoas que ainda mantêm averdade, nos deixamos levar pelos que dizem os outros, fica mais fácil de acreditar nas pessoas com disfarces. E no fim, quando já ninguém tiver um disfarce, quando apenas fique sua vontade de amar, talvez você se veja sozinho, repousando os dias de sua vida em que encontrou o amor e o deixou passar, em que encontrou a lealdade e não soube valorizar, porque era mas simples flutuar que arriscar de verdade, que se entregar até o final. Não deixe que enganem você, observe com muita atenção depois de simplismente olhar”.
Livro da Dulce María

 O Apóstolo Paulo traz a luz dos crentes em Corintios, o ministério da Nova Aliança, fazendo uma comparação com o véu utilizado por Moisés cobrindo o rosto para que o povo não visse seu rosto resplandecer e mesmo ao passar o brilho não o tirava, deixando uma impressão de glória permanente e que no final não passa  de disfarces.

Quando falamos de véu e mascaras, falamos de disfarces algo que impossibilita as pessoas de saberem quem verdadeiramente somos, nos levando a esconder nossos sentimentos, personalidades e desejos. Todos temos uma identidade a ser revelada em Cristo Jesus deixando cair o véu e recebendo o brilho constante que vem do Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, o véu que cai com a Nova Aliança “Ora o Senhor é o Espírito; e onde há o Espírito do Senhor, aí há liberdade”. Liberdade que é dada por cada um de nós.

O cristão é observado em todo tempo, quer seja por irmãos ou por ímpios o livro de Hebreus fala da “grande nuvem de testemunhas”, que não são os que nos olham sim os que morreram dando testemunho de sua fé em Deus, mas podemos colocar os que hoje estão ao nosso redor esperando um erro uma falha para nos apontar, e é diante dessa necessidade que precisamos deixar cair alguns véus e mascaras.

O primeiro véu que precisamos deixar cair é o:
ORGULHO: O orgulho impede que reconheçamos a necessidade de transformação
Outro véu a ser derrubado é a:
HIPOCRISIA: Impede o quebrantamento verdadeiro
Outro véu é a:
INCREDULIDADE: Faz com que o homem duvide de si mesmo e o pior duvide de Deus, a boca não fala do que o coração esta cheio
O véu do:
MEDO: Que impede de agir com ousadia alcançando altos voos e grandes vitórias.
O véu da:
SOBERBA: levando o homem a auto suficiência achando que ele é o cara e deixando a dependência de Deus em áreas de sua vida.
E um dos mais sérios nos dias de hoje:
AUTO PIEDADE: Pessoas que estão se enchendo das migalhas enquanto Deus tem um banquete preparado, não dão a liberdade que o Espirito Santo precisa para transforma-los por completo, tem tudo mas acham que não tem nada.

Listei algumas coisas e sei que temos muito mais será que há em sua vida algum véu para cair nesse dia se tem liste-o, apresente diante de Deus em oração, tenha atitudes para vencer a necessidade de coloca-lo novamente em sua vida.
E caminhe para uma vida vitoriosa cheia do Espírito Santo, realizando a vontade de Deus.
                                                                                                               Pastor Sebastião Luiz Chagas

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Vencendo A Depressão


Em paz também me deitarei e dormirei, porque só Tu, Senhor, me fazes habitar em segurança." Salmos 4:8; "Jesus, porém ouvindo, disse-lhes: Não necessitam de médicos os sãos, mas sim os doentes." Mateus 9:12. A segunda doença do mundo, a depressão, consiste na exaustão mental e ou física provocadas por fatores internos do organismo ou fatores endógenos tais como: células do celebro, alterações hormonais, glândulas, a química geral do corpo e outros motivos não descobertos que pode levar o indivíduo à depressão, além de fatores externos ou exógeno tais como: perdas, injustiça, indecisões, abandono psicológico e estresses pelas pressões da vida, que podem ocasionar a depressão reativa.
O mais incrível é que a depressão é a doença menos diagnosticada e a mais destruidora na sociedade devido a ignorância, falta de oportunidade para se tratar ou a rejeição em aceitar e reconhecer que possui a doença. Em função disso muitas pessoas que poderiam tem um padrão de vida melhor sofrem durante vários anos de sua vida de uma agonia mental, emocional e física, pela falta do tratamento, resultando em dificuldades de relacionamentos pessoais, familiares, no trabalho e problemas na produtividade. E aquele que busca tratamento encontra um público desenformado que a estigmatiza rotulando-a de mau caráter, preguiçoso, que não tem vontade própria e um fraco espiritual.
Dez a dose por cento dos homens tem depressão, com maior incidência entre 40 a 60 anos, quando ocorrem fenômenos que alteram os níveis hormonais. É mais comum a depressão nas mulheres em função dos vários ciclos menstruais vividos que ocasionam repetidas variações hormonais, gestação, pós parto e a menopausa. Ela também é comum em idosos. A depressão é comum em todas as classes sociais e raças, ninguém escapa.
Quinze por cento das pessoas depressivas que não são tratadas cometem suicídio e oitenta por cento das pessoas que cometem suicídio são portadoras de uma doença que poderiam ser tratadas a nível mental e evitar o suicídio. Não podemos atribuir o ato suicida ao demônio porque aí estaremos nos privando do tratamento físico que pode nos trazer a cura.
Como identificar a depressão? Os sintomas que serão apresentados a seguir, se a maioria deles perdurarem por mais de duas semanas, depressão a vista. São elas: tristeza constante, ansiedade ou "vazio" em grande parte do tempo na maioria dos dias; sentimento de desesperança, pessimismo e baixa auto-estima, sentimentos negativos constantemente; sentimento de culpa, impotência e inutilidade; perda de interesse ou prazer em hobbies e atividades que antes eram apreciados, inclusive o sexo; insônia, acordar muito cedo e ou dormir muito; falta de apetite e ou perda de peso ou come demais e ganha peso; perda de energia, fadiga, sente-se lerdo ou sente uma agitação que não pode ser controlada, sente grande dificuldade com as tarefas mais simples, pois lhe parece muito difícil; pensamentos de morte ou suicídio, tentativa de suicídio, sente constantemente que a vida não merece ser vivida assim; inquietação, irritabilidade, mau humor, nunca se sente relaxado ou disposto; dificuldades para concentrar-se, lembrar-se de coisas para tomar decisões, pois sua mente está constantemente com pensamentos deprimentes, tristes e negativos; sintomas físicos constantes que não respondem ao tratamento como : dores de cabeça, problemas de digestão e dores crônicas; uma constante ansiedade que não acaba, preocupa-se com pequenas coisas; isolamento social; outros parentes com depressão, problemas com alcoolismo ou colapsos nervosos. Nas crianças os sintomas podem se apresentar como: aumento da irritabilidade, queixas constantes em relação a problemas físicos, agitação, ansiedade ou pânico excessivo sem motivo. Nos adolescentes os sintomas se apresentam como: irritabilidade, consumo de drogas, bebidas alcoólicas, rebeldia, conduta desafiadora, promiscuidade, higiene precária.
Porque é tão difícil tratar o cristão com depressão? Primeiro porque os cristãos têm uma explicação própria para as causas e tratamento de doenças mentais e emocionais, é o diabo, é o pecado, é falta de fé, e quando na verdade não existe uma relação direta. Mas o interessante é que algumas doenças mentais e a depressão são as únicas condições clínicas com sintomas espirituais. No caso da depressão as pessoas, depressivas, não querem orar, não querem ler a bíblia, não querem ir a igreja, acha que Deus os abandonou, mas a causa não é espiritual, a causa é clínica, é da doença. Sendo assim, instintivamente, percebendo os sintomas espirituais e classificamos, erroneamente, que o problema é espiritual e que necessita de tratamento espiritual. E é ai que está, muitas vezes, o engano, pois as causas são claramente físicas. Portanto, buscar ajuda médica não diminui a sua fé e condição cristã. Buscar ajuda médica e tomar antidepressivos recomendados pelo seu médico não é pecado e não é falta de fé. Buscar tratamento psicoterápico ou aconselhamento não é falta de fé. Porque foi Jesus quem disse que os sãos não precisam de médicos e sim os doentes. E por que Jesus falou isso? Porque nem todas as pessoas serão curadas. Por que? Isso está além da compreensão humana. Existe soberania de Deus, existem questões de fé e existem questões de propósito. Porque se a igreja e as autoridades espirituais tivessem a cura para todas as enfermidades, se colocariam crentes nas portas dos hospitais e se extinguia a função de médico. É lamentável quando um pastor que é guia de ovelhas, por pura ignorância, declara que crente não entra em depressão. É feio falar daquilo que não se sabe e que não se domina. Existem na bíblia passagens em que Deus cura homem de depressão utilizando terapia medicamentosa, psicoterapia e ajuda espiritual. Alguns casos podem ser resolvidos apenas com medicamentos, outros utilizando medicamentos e terapia, e outros necessitam de medicamentos, terapia e ajuda espiritual. E talvez não precisem nem de terapia e medicamentos porque Deus tem poder para curar qualquer enfermidade, inclusive aquelas que os médicos não podem curar.
Vamos mostrar para você os sintomas da depressão em um grande homem de Deus, que pelos sintomas, qualquer especialista o classificaria com depressivo, e mostraremos o processo terapêutico de Deus para curá-lo. Profeta Elias - I Reis, Capítulo 19:4, "E ele se foi ao deserto, caminho de um dia, e veio, e se assentou debaixo de um zimbro:" Primeiro sintoma: isolamento social, ele caminhou quase um dia inteiro para ficar longe de tudo e de todos. Continuação do versículo 4: "... e pediu em seu ânimo a morte, e disse: Já basta," Segundo sintoma: perca do ânimo. Continuação do versículo 4: "... ó Senhor: toma agora a minha vida, pois não sou melhor do que meus pais," Terceiro sintoma: desejo da morte. I Reis, Capítulo 19:5 "E deitou-se, e dormiu debaixo dum zimbro" Quarto sintoma: Prostração e dormir fora da hora de dormir.
Porque Elias entrou em depressão? Ele estava num ponto de exaustão mental causado pelo estresse que o povo produziu ao se rebelar contra Deus, e a palavra de uma mulher desencadeou o processo depressivo, pois quando uma pessoa está no ápice da exaustão mental, qualquer ato, palavra, uma frase pode ser a chave para desencadear o processo depressivo. E ela, a mulher do rei, disse: Manda avisar ao profeta se amanhã a essas horas a cabeça dele vai esta no lugar pelo que ele fez com os outros profetas.
Diante das circunstâncias, qual foi o tratamento terapêutico de Deus para curar a depressão de Elias: tratamento medicamentoso: I Reis, Capítulo 19:5-6 "E deitou-se, e dormiu debaixo dum zimbro, e eis que então um anjo o tocou, e lhe disse: levanta-te, come. E olhou, e eis que em sua cabeceira estava um pão cozido sobre as brazas e uma botija de água: e comeu, e bebeu, e tornou a deitar-se. I Reis, Capítulo 19:7 E o anjo do Senhor tornou segunda vez e o tocou, e disse: levanta-te e come," lembre-se que o depressivo perde a vontade de comer e isso enfraquece. Pão, proteína e carboidratos. Come, bebe e dorme. Terapia medicamentosa. Deus não usou poder, não usou ação soberana Dele, Ele mandou um anjo para dar comida para Elias, enfraquecido pela depressão. Agora Deus vai usar para continuar o tratamento a psicoterapia. I Reis, Capítulo 19:7 "E o anjo do Senhor tornou segunda vez e o tocou, e disse: levanta-te e come, porque mui comprido te será o caminho." O processo terapêutico de Deus injeta ânimo em Elias e esse mesmo espírito, o espírito de Deus, está entre nós, para você que está desanimado, abatido, angustiado, para você que pensa que a vida acabou e que não tem mais nada, Deus quer dizer a você o que disse para Elias, longa será a tua caminhada. Agora veremos um tratamento de consultório psicológico de Deus, veja o que Ele faz com Elias no versículo 9 e no versículo 13: "Que fazes aqui Elias..." falas, desembucha. Porque no processo terapêutico a cura começa quando você verbaliza o que está lhe incomodando e está preso dentro de você. Quando começamos abrir a boca através da verbalização começa o processo da cura e Deus perguntava a Elias para provocá-lo a falar aquilo que o incomodava, "Que fazes aqui Elias...". E a partir do versículo 11 observamos as primeiras providências para a realização do tratamento espiritual de Deus para Elias. I Reis, Capítulo 19:11: "E ele lhe disse: Sai para fora, e Põe-te neste monte perante a face do senhor. E eis que passava o Senhor," a presença de Deus é fator de cura para nós, é tratamento espiritual. Deus utiliza terapia medicamentosa, psicoterapia, aconselhamento que se vê na Bíblia e terapia espiritual, o com a presença de Deus Elias foi curado e pronto para continuar com a vida.
Quem sabe se seu problema requer apenas tratamento espiritual ou apenas um tratamento quimioterápico ou apenas um terapeuta resolva ou derrepente os três em conjunto. Vamos acabar com essa bobagem de que quem busca psiquiatra ou psicólogo é maluco, isso é desinformação, isso é ignorância. Meus irmãos nos temos que aprender que se você tem problema do coração, ou Deus cura ou procure um cardiologista, você está com problema nos ossos, ou Deus cura ou busque um ortopedista, você está com problema clínico, ou Deus cura ou trate de buscar um clínico geral, você está com problema nos olhos, ou Deus cura ou trate de buscar um oftalmologista, você está com angústia, com depressão, ou Deus cura ou procure um psiquiatra ou um psicólogo. Ou Deus cura ou você busca tratamento médico. E se você não procurar tratamento ou a sua doença vai piorar, ou ela vai ficar crônica e pode levar você a morte. Você pode ser cheio do espírito santo, você pode ser espiritual, mas não deixa de ser um ser humano com debilidades e fraquezas, vamos acabar com essa falsa espiritualidade.

sábado, 9 de junho de 2012

Pastor afirma que avivamento atualmente é “barulho e nada mais”.


 “Sem transformação social e cultural não há avivamento”:

Muito se tem falado em avivamento nos últimos anos no Brasil. Avivamento se tornou uma palavra-chave para justificar muitos eventos, tanto no contexto pentecostal como nas igrejas históricas. Parece que tudo gira em torno do avivamento. Por conta disso, muitas são as mentiras em torno do tema, pois observando os verdadeiros avivamentos na história, muito do que temos hoje é barulho e nada mais.
Exemplo disso é a Marcha para Jesus e muitos cultos, congressos e eventos em geral. É preciso dizer que muito do que vemos em nada se assemelha ao verdadeiro sentido da palavra avivamento, pois um avivamento de verdade está muito além dos propósitos que se buscam hoje.
Muitos eventos em que se destaca o avivamento não passam de eventos para multiplicação de propósitos e desejos de ministérios pessoais. Para partirmos para um avivamento é preciso transformação de dentro para fora, ou seja, que começa na igreja e se estende para fora, alcançando toda a comunidade e até todo o país.
É preciso rever as bases, como por exemplo:
a) o que é igreja. Muitos não sabem o que é igreja. Para muitos líderes, igreja é simplesmente sua fonte de renda, como um trabalho qualquer. O líder tem regras, metas, reuniões e nada mais. O povo são seus clientes, e suas metas são seus principais objetivos. Em muitas igrejas, esses alvos e metas definem promoções e a vida dos pastores. Com isso, a igreja perde sua referência, perde sua espiritualidade, pois sua linguagem é a empresarial e não a bíblica. A igreja tem que ser uma comunidade terapêutica, ou seja, uma casa onde o cansado, o oprimido, o sofrido, o desesperado encontram descanso e paz, e encontram através da Palavra de Deus um caminho para a vida. Infelizmente, ao contrário, hoje muitas igrejas se tornaram local de extorsão, engano, frustração e mentiras, pois a essência do cristianismo não está ali. Há cultos, em muitas igrejas, onde nem sequer a Bíblia é referida. Fala-se em Deus, em Jesus, porém Seu caráter não é ensinado.
b) o que é a Bíblia. A Palavra de Deus é a referência para homens e mulheres neste mundo turbulento, pois ela é a revelação de Deus, luz para o caminho, é a verdade para que todos aqueles que nela crêem vivam de uma forma abundante no mundo. A Palavra de Deus revela a vontade de Deus para os seres humanos. Por isso, a fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus, sendo seu ensino de suma importância para toda a comunidade cristã. Não é possível que uma comunidade se diga cristã e não tenha como principal valor o estudo e a busca do conhecimento através da Palavra de Deus. É preciso também dizer que nos dias de hoje necessita-se de cuidado até mesmo com as traduções bíblicas, pois muitos são os líderes que manipulam o povo com traduções errôneas, onde o único propósito é saciar os próprios desejos. Parece incrível isso. Apesar da Palavra de Deus revelar que nada deve ser acrescentado ou tirado, muitos são os líderes que revelam não temer a Deus em nada, pois distorcem a revelação da Palavra com conclusões pessoais, que são verdadeiras heresias. Ao longo da história, muitas foram as doutrinas, dogmas e eclesiologias criadas com o fundamento de manipular, escravizar os seres humanos.
Muitas teologias hoje, destaco nisso a Teologia da Prosperidade, sucumbiriam diante da análise de biblistas, exegetas conceituados pelo mundo. É preciso dizer que há homens e mulheres que com muita responsabilidade estudam a Palavra de Deus a partir dos textos originais. Isso é uma tarefa muito árdua, que exige o conhecimento de outras línguas, de outras ciências. Por isso, é inadmissível que alguém que se diga pastor, que lidera um povo não saiba manejar a Palavra de Deus.
O apóstolo Paulo aconselha ao jovem Timóteo que procure com zelo o conhecimento, através da Palavra de Deus, para que se apresente como um obreiro que não tem do que se envergonhar. Parece que esse versículo não é compreendido por muitos líderes, pois quanta vergonha vemos em programas de rádio, tv e em muitos cultos. O triste disso é que o próprio Deus revela em Sua Palavra que Ele tem prazer em nos revelar a Sua Palavra, através do Espírito Santo.
c) o que é ser pastor. A função pastoral não é tão simples como muitos homens e mulheres pensam. A Palavra de Deus nos revela que é o próprio Deus que faz e capacita os seres humanos para exercer função de suma importância. A Palavra nos revela que o pastor representa o sumo-sacerdócio, porém é preciso também lembrar que a Palavra de Deus destaca vários atributos para que alguém exerça essa função. O principal deles é que o pastor deve se afastar do pecado e buscar constantemente viver no centro da vontade de Deus. Para isso, Deus coloca à sua disposição Seu Espírito e todos os exemplos do Seu Filho Jesus. Porém, é preciso que o pastor assuma ser dependente de Deus, e não viva segundo a sua própria sabedoria e vontade, pois o pastor deve ser exemplo no caráter, na sua forma de ser e praticar a sua regra máxima, que é a Palavra de Deus.
Sendo assim, aquele que assume a função pastoral tem que saber sobre a sua vocação, e não como é feito em muitas igrejas, que fazem do pastoreio algo hereditário e nepotista. Isso expõe o porquê de muitos pastores e pastoras serem tão desumanos, materialistas, consumistas e em nada espelhem o caráter de Cristo.
d) qual a missão da Igreja. A pergunta é: para que serve uma igreja no contexto contemporâneo? Algumas igrejas são verdadeiros clubes sociais, exclusivos para determinados grupos sociais. Temos igrejas para ricos, para pobres, para cantores, para gente famosa, para gente simples, como também há igrejas que têm um pouco de tudo. Mas a grande questão é que a igreja não cumpre a sua missão. A essência da igreja está na promoção da vida, no fato de que todos aqueles e aquelas que a frequentam têm compromissos não somente consigo próprio, mas principalmente com o seu próximo.
A igreja existe para que homens e mulheres conheçam a Deus, descubram a Sua vontade e espalhem pela terra, de forma prática, o ser de Deus. Isso é ser a imagem e semelhança de Deus. Não basta se intitular cristão; é preciso viver uma vida prática do cristianismo, e isso muitas igrejas, muitos líderes e muitos cristãos precisam descobrir. Não é possível que em alguns lugares do mundo seres humanos morram de fome, sede e de doenças, pela guerra, enquanto algumas nações se declaram cristãs e nada fazem pelos que sofrem no mundo.
Há igrejas que em cinquenta anos de existência nunca enviaram um missionário. Em muitas igrejas, missões são um assunto descartável, pois a preocupação é local e pessoal. Tudo o que a igreja arrecada tem como destino sustentar a liderança. Infelizmente, para muitos líderes, a igreja existe para sustentá-los e saciar seus desejos pessoais.
A missão da igreja vai muito mais além daquilo que pensamos, pois o próprio Deus nos mostrou, de forma prática, que devemos ser instrumentos de transformação social.
Após a igreja estar centrada nessas bases, podemos dizer que esta igreja pode começar a orar por uma avivamento.
É preciso saber que um verdadeiro avivamento tem obstáculos enormes, obstáculos que só podem ser transpostos pela fé. Quando digo que esses obstáculos são enormes é porque no Brasil temos um câncer e cultural.
“O Brasil precisa de uma faxina ética, e isso tem que iniciar na igreja e na sua liderança”
No Brasil, temos uma cultura mutante, influenciada por diferentes culturas vindas de todo o mundo, através dos processos de imigração. Desde nossa colonização, a cultura que predomina é a cultura da morte, da exploração do mais fraco. Isso se revela em nossa história: o negro, o índio, a mulher, as crianças, os velhos, todos foram explorados até a morte em nossa história.
Isso também ocorre hoje, em nossa sociedade, pois muito do que vemos não é nada novo. É a continuação de um processo que não para. O pobre, o negro, a mulher, as crianças, os velhos continuam a ser vítimas dos poderosos, e isso hoje vai muito além do senhor da casa-grande, pois em nossos dias isso se estende para o Estado, e são expostos através das ações dos políticos, dos grandes latifundiários, dos donos de comércio, dos militares e, infelizmente, também pelos religiosos.
Enfim, nada mudou.
A cultura de morte se espalha em todo o canto do mundo, em todo o canto do nosso país. Isso é visto no sistema de saúde, no trabalho, na distribuição de renda, no sistema carcerário, no trânsito, enfim, nas relações humanas. Onde tem pobre, negro, tem miséria, doença, fome, tristeza e morte. Se um negro pobre estiver sendo espancado por policiais em via pública, ninguém vai interferir, pois se tem a cultura de que negro e pobre é “bandido”, e bandido tem que apanhar mesmo. Há um ditado popular que diz que bandido bom é bandido morto.
Por que não dizemos isso do sistema político? Por que não dizemos isso dos ricos? Eles também cometem crimes. Sabe porquê existe essa diferença? Porque faz parte da nossa cultura sobrepujar o pobre, o negro, o miserável.
No Brasil e em muitos países do mundo há uma justiça para pobres, negros e miseráveis, e outra para os ricos. Apesar da Constituição Brasileira dizer que somos iguais, isso não acontece no dia-a-dia de nossa sociedade. Quem comanda a cultura são as elites que massacram os mais fracos, e essa cultura massacrante, onde o mais fraco, o diferente, o desigual é a grande vítima da guerra social.
E o ponto mais triste, em meio a tudo isso, é que a igreja participa de tudo isso ao longo da história. A igreja, desde a colonização, também foi responsável pelo massacre cultural. Mesmo depois de quinhentos anos, a igreja nada mudou e hoje temos um agravante, pois juntamente com a Igreja Católica, as igrejas contemporâneas também assistem o sofrimento dos pobres e o pior, que muitas têm se transformado em uma das formas de exploração dos mais pobres.
De diferentes formas, hoje a igreja entra na cultura da morte, pois nega sua responsabilidade social e cultural. A igreja precisa rever suas bases sociais e culturais, pois em sua essência está a luta por justiça e vida.
Não é possível assistir o caos social em que vivemos enquanto muitas igrejas, ao invés de ser veículos de justiça, se aliam ao mundo. Exemplo disso são as alianças políticas. O mundo político é um poço de lama, onde a corrupção reforça a cultura de morte. É preciso uma grande mudança, pois acredito que da forma que estamos será difícil falar de um verdadeiro avivamento, a não ser que tudo mude, pois o que temos hoje no seio de algumas igrejas é a mentira, o misticismo, a idolatria humana, o desejo desenfreado de consumir e viver de forma totalmente material. Esses valores são pedras de tropeço para um verdadeiro avivamento.
Como pode haver milagres, se a Palavra não é pregada? E quando pregada, é tendenciosa? O exemplo disso é a Teologia da Prosperidade, que enriquece a cada dia os seus defensores, enquanto que o povo continua na miséria. Hoje temos, infelizmente, a manipulação da realidade religiosa, pois tudo tem propósitos, e muitos propósitos não são éticos nem verdadeiros. Como haver avivamento, se a igreja não representa a justiça? Como haver prosperidade, se a prosperidade não muda o estado de miséria de um povo? Como haver avivamento, se a igreja é um veículo de mentira social, aliada ao sistema de corrupção e ao pecado, elementos esses que alimentam essa cultura de morte?
Estou exagerando? Veja o resultado das denúncias da Anistia Internacional, em relação aos direitos humanos no Brasil. Veja os resultados dos órgãos que pesquisam a educação, a violência contra a mulher, crianças, idosos, resultados esses que, comparados a outros países do mundo, nos colocam abaixo de muitos países ditos miseráveis. Veja a realidade dos hospitais, a seca no nordeste, que há décadas persiste. Quantos políticos se enriqueceram às custas de projetos contra a seca? O que dizer da Reforma Agrária, ou melhor, que Reforma Agrária? O que dizer do trânsito, que mata a cada dia, e incrível, se o rico matar no trânsito sai na mesma hora, e rindo, enquanto famílias choram a perda dos entes queridos. O que dizer do sistema penitenciário, verdadeiras masmorras medievais, onde a tortura e o desrespeito ao sentido da palavra humano são as leis? O que dizer do Estado, que usa a tortura, espancamento como medidas sócio-pedagógicas em instituições que dizem existir para corrigir e mudar o caminho de jovens infratores? O que dizer de nossas estradas? O que dizer dos pobres no interior de Estados do nordeste, onde a fome, a miséria prevalecem?
E o que temos em resposta do Estado para tudo isso? Fome Zero, PAC, porém de outro lado, juntamente com isso, temos mensalão, ambulâncias, Cachoeiras, enfim, como dizem, formas para tapar o sol com a peneira.
É preciso atacar o foco. Se não mudarmos nossa cultura de vantagens e exploração dos pobres, não teremos uma mudança social e, com isso, um verdadeiro avivamento não pode ocorrer. Não é possível que Deus assista todo o sofrimento de um povo e, enquanto isso, “seus filhinhos” cantem e dancem nas igrejas. Isso não é amor, não é misericórdia, não é solidariedade.
O que vemos é vaidade, ganância, omissão e tudo isso é pecado. Onde há pecado não há a presença de Deus. Num país onde rico e poderoso nunca erra, mesmo pego em flagrante; onde até as leis são presunção de exploração e injustiça, a igreja tem que pregar que Deus é contrário a tudo isso.
Mas agora vivemos o contrário. Pastores se calam diante do poder financeiro de muitos ricos e poderosos, e mentem sobre avivamento e o poder do Espírito Santo. Por isso, só acredito em avivamento se a igreja abandonar seus laços com o mundo corrompido e mau. Assim proclamo:
“Sem transformação social e cultural não há avivamento.”
Não há engano, a não ser que se queira. Temos que lutar por pastores que busquem sabedoria, transparência, integridade, simplicidade, e que tenham em seu vocabulário e prática de vida palavras como amor ao próximo, solidariedade, Graça, e isso tudo vem com mudanças de rumo. Ser pastor não é profissão, é um sacerdócio.
Queremos pastores que saibam enxergar o próximo. Queremos pastores que dividam sua prosperidade com os que sofrem.
Ufa! Estou cansado de ver tudo isso, e não ver mudanças em nossa sociedade. Continuo a ver pobres nas calçadas, morrendo de fome; doentes morrendo em portas de hospitais por falta de leitos, ou pela precariedade no atendimento. Estou cansado de pobres serem torturados e mortos por policiais; estou cansado de ver políticos mentindo na TV, sem ninguém fazer nada – ninguém sabe nada. Estou cansado de ver pastor na TV mentindo, adulterando a Palavra de Deus em seu proveito, chamando seus próximos de bandidos. E, lamentavelmente, a culpa não é de ninguém, ninguém fez nada.
Algo tem que acontecer, e tem que começar. O começo é acabando com a mentira e a hipocrisia que há em toda a sociedade e em muitas igrejas e líderes. Só assim poderemos clamar, em alta voz, aba Pai. Aí sim veremos acontecer em nossa sociedade o que diz a Bíblia em 2 Crônicas 7.14:
“E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra.”
Ainda bem que a misericórdia de Deus se renova a cada manhã em nossas vidas.
“Voltemos ao Evangelho puro e simples, o $how tem que parar.”
Louvado seja Deus que ainda está no controle do mundo.
Paulo Siqueira