terça-feira, 15 de maio de 2012

OS DEZ MANDAMENTOS


A bíblia não nos ensina a "deixar a vida nos levar", permitindo que tudo aconteça "naturalmente", conforme o desejo e as circunstâncias. O ser humano não pode ser como uma folha seca levada pelo vento. Os mandamentos de Deus pretendem impedir isto. Quando os israelitas saíram do Egito, o Senhor não deixou que vivessem "soltos no deserto", fazendo o que bem quisessem. A primeira parada foi no monte Sinai para que o povo recebesse a lei, o regulamento que deveria controlar suas vidas. Isto não quer dizer que perderiam a vontade própria e o direito de escolha, mas teriam limites protetores. 

Os dez mandamentos foram as principais ordens recebidas naquela ocasião (Ex.20), tratando da relação do homem com Deus, com o próximo, com a família e consigo mesmo. Vemos ali diversos princípios e valores referentes à religião, adoração, tempo, honra, justiça, verdade, trabalho, descanso, sexo, direito à vida e à propriedade. 

Observando a forma verbal ("Não matarás; não adulterarás; não furtarás; não cobiçarás" etc), percebemos que aquele código focalizava o futuro. Era preventivo e não corretivo. Esta é uma das características da palavra de Deus e tem o propósito de evitar que o mal aconteça. Prevenir é mais fácil e mais barato. 

Os mandamentos eram simples, mas transgredi-los significava complicar a vida. Veja que os versículos "Não matarás", "Não furtarás" e "Não adulterarás" são os menores do Antigo Testamento. Em hebraico, cada um deles tem 6 letras. Desobedecê-los, porém, traz os maiores problemas. 

Os verbos estão conjugados na segunda pessoa do singular: tu. A priori, Deus estava tratando com cada indivíduo e não com a nação. Cada pessoa é responsável pelo cumprimento da vontade de Deus, mas os efeitos, bons ou ruins, afetam a coletividade. 

Entre os dez mandamentos encontramos mais de um abordando o mesmo tema:

"Não terás outros deuses diante de mim" e "Não farás para ti imagem de escultura".

"Não adulterarás" e "Não cobiçarás... a mulher do teu próximo".

"Não furtarás" e "Não cobiçarás a casa do teu próximo, nem o seu servo, sua serva, seu boi" etc. 

O propósito seria atingir o pecado em diferentes níveis de desenvolvimento: ato e desejo, exterior e interior, fruto e raiz. São dois campos de ação do inimigo, e um deles pode parecer inofensivo. 

O desejo pecaminoso não parece tão mal, mas a palavra de Deus nos ensina a combatê-lo. Se não o fizermos, ele poderá se concretizar, iniciando uma sequência de fatos negativos e incontroláveis. Um pecado pode produzir outros piores, como aconteceu na experiência de Davi.

Como surge o desejo? Ele pode ser automático ou resultado de um processo que inclui provocações, propagandas e ofertas. Convém, portanto, evitar tais elementos que fomentam a cobiça (Gn.39.10). Se você não quer entrar, fique longe da porta (Pv.5.8). 

A administração do tempo, presente no quarto mandamento, é importantíssima porque daí virão muitos bens ou muitos males. O senhor disse "seis dias trabalharás e farás toda a tua obra". Quem se entrega à preguiça e à ociosidade terá mais tempo para cobiçar as coisas do próximo, transgredindo assim o décimo mandamento. Se não trabalha e não pode adquirir o que deseja, pode ser tentado a furtar. Se for surpreendido em seu ato, pode até matar. 

Por outro lado, aquele que trabalha demais, sete dias por semana, não terá tempo para Deus nem para a família, dando ocasião a outros tipos de pecado em sua vida e em seu lar. Ainda que não sejamos sabatistas, é imprescindível a separação de um tempo semanal para o descanso, lazer e dedicação especial ao Senhor. 

Os dez mandamentos tratam de realidades e desejos. O desejo é importante, porém inconstante, e precisa ser limitado pelos compromissos e obrigações assumidas. Errando na relação entre realidade e desejos, sofreremos terríveis consequências. Acertando, em obediência à vontade do Senhor, seremos recompensados com suas bênçãos. 

Pr.Anísio Renato de Andrade