quinta-feira, 31 de maio de 2012

Noemi – Um exemplo de sogra



A mulher leva o homem até a presença de Deus, à Sua plenitude, mas também pode servir de instrumento do diabo para levá-lo ao mais profundo do inferno. O próprio rei Salomão disse isso. Suas palavras eram de um homem de Deus, pois tinha o Espírito de Deus; depois, entretanto, se desviou por um caminho totalmente adverso.
Enquanto era de Deus, Salomão escreveu: “Achei cousa mais amarga do que a morte, a  mulher cujo coração são redes e laços, e cujas mãos são grilhões; quem for bom diante de Deus fugirá dela, mas o pecador virá a ser seu prisioneiro” (Eclesiastes 7.26).
O que é pior do que a morte? Aos meus olhos, só a segunda morte, a morte eterna.
Salomão conhecia muito bem o assunto, pois tinha 700 mulheres e 300 concubinas. Mesmo diante de toda a sua sabedoria, todo o seu reinado e de toda a sua glória, acabou caindo em desgraça por causa delas. Em outra ocasião ele disse: “…Entre mil homens achei um como esperava, mas entre tantas mulheres não achei nem sequer uma” (Eclesiastes 7.28).
Precisamos, entretanto, fazer aqui uma ressalva: a mulher de Deus não é nada disso; seu coração não é rede nem laço. Ela expressa a imagem de Deus e leva o homem a conquistas extraordinárias, porque ela é forte, ainda que nem apareça. Sua força anônima faz o homem ser um conquistador.
O mesmo Salomão disse: “A mulher sábia edifica a sua casa…” (Provérbios 14.1) e “Mulher virtuosa quem a achará? O seu valor muito excede o de finas joias” (Provérbios 31.10). Quando a mulher é de Deus, é virtuosa e abençoa o homem.
Dentre as mulheres de Deus, as quais encontramos na Sua Palavra, há uma para quem temos de tirar o chapéu: Noemi. Ela e seu esposo, Elimeleque, viviam em Belém de Judá. Veio a fome e eles se mudaram, com seus dois filhos, para o país dos moabitas, os quais eram idólatras e até ofereciam aos seus deuses sacrifícios humanos.
Naquela terra, seus filhos se casaram. Mais tarde morreram Elimeleque e seus filhos, ficando Noemi sozinha com suas duas noras. Uma se chamava Orfa e a outra Rute. Noemi as chamou e aconselhou a que voltassem para a casa de seus pais, pois ela mesma voltaria para sua terra, pois não tinha nada mais a lhes oferecer. Orfa chorou muito, mas acabou concordando. Rute, todavia, disse: “…Não me instes para que te deixe, e me obrigue a não seguir-te; porque aonde quer que fores, irei eu, e onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus. Onde quer que morreres, morrerei eu, e aí serei sepultada; faça-me o Senhor o que bem lhe aprouver, se outra cousa que não seja a morte me separar de ti” (Rute 1.16-17). Ora, o que esta sogra tinha de tão especial, que esta sogra tinha de tão especial, que sua nora estava determinada a segui-la e até morrer com ela? Justamente o caráter de Noemi. Naturalmente ela passou para as noras a fé, o fervor a Deus e o exemplo de mulher virtuosa. Isso fez com que as noras desejassem seguir Noemi. Ela, indiscutivelmente, conquistou o coração de suas noras.


MP do Mato Grosso não encontra irregularidades nas fazendas de Valdemiro Santiago




O caso será transferido ao Ministério Público de São Paulo por ser onde está a sede da Igreja Mundial do Poder de Deus, da qual Valdemiro Santiago  é líder.

O Ministério Público Estadual de São Paulo vai passar a investigar a compra de fazendas pelo apóstolo Valdemiro Santiago depois que o procurador-geral de Justiça, Marcelo Ferra, encaminhou o caso para o MPE-SP.

O Ministério Publico Federal do Mato Grosso estava realizando essas investigações, mas como não foram encontrados danos à União os autos foram encaminhados para o MPE paulista já que a sede da Igreja Mundial do Poder de Deus está situada no Estado de São Paulo.

Desde que o programa Domingo Espetacular da Rede Record denunciou a compra de fazendas na região de Santo Antônio do Leverger, Valdemiro Santiago passou a ser investigado já que nas denúncias há indícios de que o dinheiro usado na compra dessas terras saiu dos cofres da igreja, ou seja, dinheiro doado pelo fiéis para outros fins que não o enriquecimento pessoal.

Resta ao MPE-SP encontrar irregularidades nessa aquisição já que o Ministério Público Federal não conseguiu encontrar lesão à União nem sonegação de impostos. Se a instituição de São Paulo conseguir encontrar indícios desses crimes o caso voltará para o Ministério Público Federal

Fonte: Enfoque Gospel

segunda-feira, 28 de maio de 2012

A ORAÇÃO MODELO


Muitas orações são feitas, mas nem todas são boas e eficazes.

Jesus ensinou aos discípulos uma oração que serviria como exemplo e não como reza:

"Portanto, vós orareis assim: Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha a nós o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia nos dá hoje; e perdoa as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores; e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal. Porque teu é o reino, o poder, e a glória, para sempre, Amém" (Mt.6.9-13).

Disse o Mestre: "Portanto, vós orareis assim..." - Ele estava certo de que os discípulos fariam orações. Havia uma expectativa em sua fala. Com isso entendemos que a oração é importante e necessária como ato que demonstra nossa dependência de Deus. Se o próprio Jesus orava, quanto mais nós devemos fazê-lo.

Ao dizer "vós orareis assim", Jesus ensinou uma oração que ele mesmo não faria na íntegra, pois nunca precisaria pedir perdão por suas próprias ofensas.

Ao dizer, "vós orareis assim", Jesus estava estabelecendo um contraste entre a oração dos discípulos e a oração dos fariseus mencionada desde o início daquele capítulo. A prece dos religiosos estava focalizada na forma e na circunstância, enquanto a que o Mestre ensinou se destaca pelo conteúdo.

A primeira palavra da oração invoca Deus como "Pai". Está implícito o vínculo entre aquele que ora e o Senhor. Antes da oração, deve existir um relacionamento, um compromisso.

Ao dizer, "Pai nosso que estás nos céus...", Jesus estabeleceu a direção da nossa oração: ao pai celestial. Não devemos orar a nenhum outro deus, santo, guia, espírito ou ídolo. Ele não disse: "Vós orareis à minha mãe, que falará comigo e então eu levarei vossos pedidos a Deus". Não! Ele deixou claro que temos acesso direto ao Pai através do caminho aberto pelo Filho.

Se alguém deseja falar com um rei ou presidente, poderá encontrar tantos seguranças e assessores no caminho, que talvez nem consiga chegar perante a autoridade. Entretanto, um filho do rei entra na sala do trono, sem impedimento algum. Assim nós, filhos de Deus, podemos falar diretamente com ele, sem intermediários. Quando dizemos "Pai nosso", estamos certos de que seremos recebidos com amor em sua presença.

"Pai nosso que estás nos céus..." - Embora saibamos que Deus está em todos os lugares, é importante sabermos que ele está acima de nós. A frase elimina os ídolos, porque deixa claro que Deus não está pregado na parede, nem no oratório, andor ou pedestal. Ele não é uma imagem, desenho ou escultura.

A oração cita o céu e a terra (Mt.6.9,10), porque ela é um instrumento de comunicação entre ambas as dimensões.

"Pai nosso..." – Esta é uma oração plural. Ela poderia ser assim: "Meu pai, venha a mim o teu reino, dá-me o pão, perdoa as minhas dívidas" etc, mas não foi isso que Jesus ensinou. Ele não queria estimular uma religião individualista e egoísta.

Jesus disse "vós orareis assim" e colocou os pronomes no plural porque queria que os discípulos orassem juntos, embora isso não elimine as orações particulares. Deus deseja que vivamos em comunhão, inclusive no culto que prestamos a ele. A oração modelo traz em seu âmago a ideia de igreja e um conceito de comunhão vertical e horizontal, com Deus e com os irmãos.

"Santificado seja o teu nome". Esta é uma frase de louvor com muita reverência. Em nossas orações, devemos também louvar ao Senhor e não simplesmente trazermos uma lista de pedidos.

"Venha a nós o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu". O reino de Deus era o assunto preferido de Jesus, e não foi diferente na oração modelo (Mt.6.10,13). Naquelas poucas frases, o reino foi citado duas vezes. O cristão deve viver em função do reino, e isto significa fazer a vontade de Deus. Nossas orações não podem ser humanistas, voltadas para o reino do homem, colocando nossa própria vontade como prioridade.

O elemento "reino" nos lembra que Deus, além de ser o "pai nosso" é também o "nosso rei". A figura do pai nos lembra amor, carinho, proteção, acolhimento, provisão, etc. A figura do rei nos lembra aquele que governa, que manda. Nossa concepção da divindade deve englobar ambos os aspectos, além de outros que compõem o caráter divino.

Quando orarmos, devemos ter a vontade de Deus como foco. Quantas pessoas estão lutando com Deus em oração para que a vontade humana seja feita. Embora possamos expressar nossa vontade, pode chegar um momento em que vamos dizer esta frase de rendição: "seja feita a tua vontade". Foi assim que Jesus orou no Getsêmani.

"Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu". Jesus veio conscientizar as pessoas sobre a realidade do céu, mas ele não nos ensinou a negligenciar as responsabilidades terrenas. Só não podemos permitir que estas nos afastem dos propósitos celestiais. Somos seres espirituais, mas temos um corpo físico que vive nesta terra. Portanto, o cristão não pode ser alienado em nome da espiritualidade.

"O pão nosso de cada dia nos dá hoje". A oração de Jesus tem ênfase no que é espiritual, mas esta frase refere-se ao alimento material. O pedido é caracterizado pela simplicidade. Talvez colocaríamos neste ponto a lista completa do supermercado para o mês, mas Jesus mencionou apenas o pão para hoje. Não temos nesta oração nenhuma ansiedade pelo dia de amanhã. Ao dizer, "nos dá hoje", ficou subentendido que, no dia seguinte, nova oração seria feita. Jesus ensinou um tipo de oração diária e não esporádica ou eventual.

"Perdoa as nossas dívidas, assim como nós perdoamos os nossos devedores". Jesus lembrou aqui o problema do pecado. A oração é pequena e toca apenas em questões essenciais. O pecado é uma delas. O pedido de perdão deve constar das nossas orações juntamente com o reconhecimento de nossas falhas. A frase retoma o tema da comunhão, lembrando que não podemos estar bem com Deus, se negamos o perdão ao nosso semelhante.

"Não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal". Neste ponto, o inimigo é lembrado, embora não lhe tenha sido dada a honra de ter o nome citado. A nossa fraqueza também está implícita na frase. Estamos no meio de uma guerra espiritual contra o mal. Está clara a nossa dependência de Deus, mas não estamos dispensados da vigilância.

"Porque teu é o reino, o poder e a glória para sempre". Aqui, o plural é deixado de lado. Não está escrito "Porque nosso é o reino, o poder e a glória". Tudo isso pertence ao Senhor. O cristianismo não deve ser colocado a serviço do reino humano, como se Deus fosse servo e nós fôssemos senhores. O poder pertence ao Senhor, ainda que possa estar em nossas mãos por alguns instantes.

"Teu é o poder". Se o poder pertence ao Senhor, não podemos pensar que somos donos do poder, seja natural ou espiritual. Precisamos estar sempre ligados em Deus, como um aparelho que depende de uma fonte de energia para funcionar. Não podemos exercer um ministério se não estivermos buscando sempre ao Senhor, pois dele vem o poder e a capacidade de que necessitamos.

"Teu é o reino o poder e a glória para sempre". Não podemos usurpar a glória de Deus nem esperar que os homens nos glorifiquem. Se não formos reconhecidos pelo que fazemos no reino de Deus, está ótimo, pois a glória pertence somente ao Senhor. Neste ponto da oração, Jesus nos ensina a humildade.

A oração modelo foi uma aula para os discípulos. Nela aprendemos diversos princípios que devem orientar nosso modo de orar e, sobretudo, de viver.

Pr.Anísio Renato de Andrade
www.anisiorenato.com

Ricardo Alexandre, Editor de Autores Nacionais da Mundo Cristão, diz que literatura evangélica deve dialogar com sociedade brasileira.


Fonte: Cristianismo Hoje
“Precisamos provar que não somos gueto”

Entrevista especial

Poucos temas geram debates tão acalorados quanto a mercado de livros cristãos para autores nacionais. A reclamação generalizada é de que há pouco espaço para novos escritores. Já as editoras reclamam da falta de qualidade. Quem está com a verdade? Apesar de trabalhar diretamente no segmento há apenas alguns meses, o jornalista Ricardo Alexandre, de 37 anos, é especialista no assunto. Novo Editor de Autores Nacionais da Mundo Cristão, uma das principais editoras evangélicas do país, esse batista de Jundiaí (SP) tem uma longa carreira na imprensa, com diversos trabalhos na área de cultura. Foi repórter e crítico do jornal O Estado de São Paulo, redator-chefe da revista Bizz e diretor de redação de Época São Paulo. No ano passado, foi dele a reportagem de capa para a semanal Época, intitulada A nova reforma protestante. Os meses em que trabalhou na matéria o aproximaram do mercado editorial evangélico. Agora, ele trabalha para lançar obras que dialoguem com a sociedade. “O custo para emplacar novos autores nacionais é alto e não vejo grandes mudanças a curto prazo. Mas queremos estabelecer um novo padrão de excelência, que outros possam buscar”, aposta.

CRISTIANISMO HOJE
 – Fala-se muito da falta de espaço para novos autores nacionais no mercado cristão brasileiro. Por que a situação é tão difícil?

RICARDO ALEXANDRE
 – Na verdade, não há tantas dificuldades em publicar livros. Difícil é alcançar o leitor. É fato que existem hoje mais editoras do que livrarias no Brasil. Quanto a publicar um livro, se o escritor não consegue uma editora, pode optar por fazer uma edição do autor. E, no mercado cristão, com livros de pequena tiragem, os autores têm grande vantagem em relação aos do meio secular: a inserção na comunidade à qual estão filiados. Igrejas são um público certo.

Ainda assim, o espaço para obras estrangeiras é incomparavelmente maior. O que acontece? Falta talento no Brasil?
O problema não é esse. Acredito que essa “desproporção” exista, primeiro, por causa do tamanho dos mercados internacionais em relação ao brasileiro. São muito maiores. Lá fora, as pessoas também lêem mais. Há mais títulos, autores, cujos nomes são mais conhecidos, e que são mais fáceis de vender. Isso faz diferença, pois os temas da espiritualidade cristã, preferidos pelos escritores brasileiros, são universais – servem tanto nos Estados Unidos quanto aqui. Além do mais, no Brasil, o volume de vendas é muito pequeno se comparado com o de outros mercados. Livros são difíceis de escrever. Já publiquei dois. Levei seis anos para escrever o primeiro e outros dez para o segundo; então sei o que estou dizendo.

A curto ou médio prazos, você imagina alguma mudança nesse cenário?
Infelizmente, não acredito que venha a acontecer. A Igreja evangélica que cresce no Brasil não é aquela que gosta de ler e estudar bastante – é a que prefere bênçãos e revelações. Ainda assim, editoras como a nossa têm procurado diminuir esse abismo. A criação do cargo que ocupo é uma tentativa de valorizar aquilo que é produzido no país. O custo para emplacar novos autores nacionais é bastante alto, mas esse investimento é essencial para a expansão do Reino de Deus em qualquer nação, pois permite o desenvolvimento de lideranças e a maior identificação com a Palavra.

O que deve fazer um autor principiante que queira publicar seu livro?
Primeiro, pensarem temas relevantes e contextualizados à nossa realidade; temas urgentes e que a espiritualidade cristã possa iluminar. Recebemos pouquíssimas propostas assim, e menos ainda que tenham apelo. A maioria prefere temas batidos. Se o autor resolver analisar o Sermão do Monte, terá contra si uma competição desleal. Além disso, ele não deve pensar em fazer livro de qualquer jeito, no tempo que lhe sobra. Deve procurar um nível de excelência bíblico. Ficção no nível de João Ubaldo Ribeiro, jornalismo para ganhar prêmio secular. Precisamos provar que não somos gueto, que temos luz para iluminar, como Cristo manda, toda a sociedade.

 O editor considera o autor nacional essencial ao crescimento da Igreja no país. OUTROS De grão em grão se conta o passado Sucesso da TV Novo Tempo, e agora em DVD, o programa Evidências é uma das melhores atrações sobre a Bíblia da televisão brasileira. Fé provada na prática Tema recorrente em suas obras, mais uma vez o papel prático de Deus no mundo moderno está presente aqui no livro "Para que serve Deus" - a mais recente obra de Philip Yancey.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

O livro que transforma


Pesquisas mostram que leitura bíblica frequente tende a mudar até mesmo opiniões mais conservadoras.
Por Aaron B. Franzen
Todo cristão sabe: ler a Bíblia e meditar nas Escrituras Sagradas é prática recomendável é necessária para uma vida espiritual saudável. Estudos e mais estudos são feitos para descobrir a quantidade de tempo que as pessoas dedicam à leitura bíblica, a credibilidade que dão aos relatos da Palavra de Deus e no quê esta disciplina espiritual influencia sua fé. O que nem sempre se leva em conta são os efeitos disso sobre outras áreas da vida humana, como posição política, comportamento social e opinião diante de temas considerados polêmicos. Pois levantamentos recente descobriram que o contato frequente com as Escrituras pode mudar até mesmo opiniões culturalmente arraigadas. Por mais paradoxal que seja, uma leitura constante e metódica da Bíblia pode até mesmo tornar a pessoa mais liberal.
Sabe-se que 89% dos lares nos Estados Unidos possuem ao menos um exemplar das Sagradas Escrituras cristãs (ainda não há pesquisa similar no Brasil). Mas ter o Livro Sagrado em casa não significa o mesmo que lê-lo com frequência – e os resultados de pesquisas a respeito dos hábitos de leitura bíblica podem ser surpreendentes. Diversos estudos realizados com o fim de examinar a influência da Bíblia têm mostrado a questão apenas do ponto de vista de sua inspiração e dos métodos interpretação. O Instituto Gallup, por exemplo, há quatro décadas, pergunta aos americanos em que medida o conteúdo bíblico deve ser interpretado de forma literal. Comparativamente, muito pouco tem sido pesquisado sobre o que acontece quando alguém lê a Bíblia, de fato – especialmente, quando isso é feito de forma independente e fora do ambiente de culto.
É de se supor que essas questões sejam redundantes, ou seja, que pesquisas do gênero sejam apenas meras formas de medir a religiosidade das pessoas, de dimensionar a frequência com que vão à igreja, se interpretam a Bíblia literalmente ou não, e ainda quanto tempo costumam gastar em oração. Quando esses indicadores são analisados, normalmente, encontra-se uma correlação direta com o conservadorismo moral e político. Isso é uma tendência, mas está longe de ser a regra. Acontece que ler a Bíblia a sós faz diferença também. E o mais interessante é que essa diferença pode ser o oposto do esperado.
A leitura frequente das Escrituras tem alguns efeitos previsíveis, como por exemplo, aumentar a oposição do crente ao pecado em geral e a algumas questões em particular, como a condenação ao aborto ou à prática homossexual. Leitores costumeiros do livro também acreditam que a ciência ajude, de alguma forma, a revelar a glória de Deus, mas não têm muitas esperanças de que os cientistas, algum dia, serão capazes de resolver os problemas da humanidade. Mas, em contrapartida, o contato frequente com a Bíblia faz com que o leitor se torne mais propenso a concordar com os liberais em alguns assuntos. Isso acontece mesmo quando se leva em conta as convicções políticas, o nível educacional, a renda, o gênero, a raça e outros critérios, como a filiação religiosa e o ponto de vista pessoal sobre o literalismo bíblico.

TERRORISMO, JUSTIÇA E CIÊNCIA
Em 2007, a Baylor Religion Survey (“Pesquisa Baylor sobre religião”) perguntou aos norte-americanos com que frequência eles liam a Bíblia sozinhos. Os respondentes tinham que escolher entre cinco respostas padrão, que iam de “nunca” a “várias vezes por semana”. A pesquisa também investigou o posicionamento político dos entrevistados e descobriu coisas interessantes. Na ocasião, as pessoas foram questionados, por exemplo, se o governo de seu país deveria ter poderes ampliados para lutar contra o terrorismo – uma referência ao Ato Patriótico (lei criada após os atentados de 11 de setembro de 2001, a qual dá ao Estado o direito de espionar e interrogar possíveis suspeitos de terrorismo). Segundo a pesquisa, quanto maior a frequência da leitura bíblica, menor o apoio dos entrevistados ao Ato Patriótico.
A leitura frequente da Bíblia também influencia a visão sobre a Justiça. Como era de se esperar, os respondentes mais liberais tenderam a discordar da frase: “Os criminosos deveriam ser punidos com mais severidade”. No entanto, os leitores mais frequentes da Bíblia também o fizeram. O contato com a mensagem bíblica, igualmente, afeta o apoio dos leitores à pena de morte. De acordo com a pesquisa, quanto maior a frequência de leitura das Escrituras, maior o apoio dos respondentes ao fim da pena capital. Ler a Bíblia também mexe com as atitudes do leitor em relação à ciência. Quando as pessoas são questionadas sobre o literalismo bíblico, não são encontradas diferenças estatísticas significativas quanto ao fato de ciência e religião serem compatíveis entre si – no entanto, quanto mais uma pessoa lê a Palavra de Deus, mais ela tende a acreditar que as duas esferas, consideradas tão antagônicas ao longo dos séculos, são, sim, compatíveis.
Outro achado interessante dos estudos refere-se a atitudes morais. A pesquisa perguntou se, para se tornar uma pessoa melhor, quão importante é buscar, ativamente, a justiça econômica e social. Novamente, como seria de se esperar, aqueles com tendências políticas liberais se mostraram mais propensos a dizer que isso é importante de alguma forma. Mas aqueles que leem a Bíblia com mais frequência também concordaram. De fato, eles foram quase 35% mais propensos a responder “sim” a tal pergunta.
Da mesma forma, ao contrário do estereótipo da mídia liberal, aqueles que são mais comprometidos com a fé – por lerem as Escrituras mais direta e frequentemente, por exemplo – são os que dão maior apoio à justiça social e econômica. Na verdade, leitores literalistas e politicamente conservadores são quase tão propensos a abraçar as causas sociais quanto aqueles que se classificam como politicamente liberais e críticos do literalismo. Na mesma linha, a pesquisa também perguntou se alguém deve reduzir o consumo como forma de se tornar uma pessoa melhor. Tanto os politicamente liberais quanto os leitores mais frequentes da Bíblia se mostraram mais propensos a dizer que sim.
Tome-se, por exemplo, um evangélico que seja politicamente conservador, tenha cursado o ensino superior, possua uma renda razoável, creia literalmente na mensagem da Bíblia, mas que não leia o livro sagrado com tanta frequência. Essa pessoa terá apenas 22% de chance de dizer que reduzir o consumo é um comportamento ético. Contudo, a mesma pergunta dirigida a alguém com as mesmas características, mas que leia a Bíblia frequentemente, terá chance 44% maior de ser respondida da mesma maneira.

SIGNIFICADO PESSOAL
A discussão se torna ainda mais interessante quando se considera quem é mais propenso a ler a Bíblia com frequência. Os evangélicos e os que a interpretam literalmente são os mais conservadores nos tópicos citados. Em outras palavras, aqueles que leem as Escrituras com mais frequência são mais conservadores; entretanto, quanto mais leem, mais tendem a mudar seus pontos de vista a respeito, pelo menos, desses assuntos. Por que isso acontece? Uma explicação possível é a seguinte: os leitores tendem a ter expectativas em relação a um texto antes de iniciar sua leitura. Dada a proeminência do texto bíblico entre os cristãos, é de se supor que muitos pensem que já sabem tudo o que ali está escrito, mesmo antes de começar a ler Gênesis 1. No entanto, uma vez que, de fato, iniciem a leitura, serão surpreendidos por um novo conteúdo que passará a estar integrado àquele que lhes era familiar. A verdade é que as crenças mudam com as novas informações acrescentadas.
Mas não será necessariamente o conteúdo novo a surpreender o leitor. Basta apenas que esse conteúdo seja pessoalmente relevante para ele. Leitores frequentes da Bíblia podem ter visões divergentes quanto à sua autoridade, mas tendem a lê-la de maneira devocional, na expectativa de que esta lhes fale algo diretamente. E eles a lerão até se depararem com algo que realmente lhes chame a atenção. Mesmo que o leitor não creia plenamente nas Sagradas Escrituras como a infalível Palavra de Deus e que o texto bíblico careça de um bocado de interpretação, esse momento pode ter um tremendo significado pessoal.
Mas a leitura bíblica não é encarada, necessariamente, como algo subjetivo. Seus leitores também percebem as Escrituras como sendo a Palavra de Deus, ainda que escrita por autores que tinham contextos e intenções específicas, e desejam se tornar cada vez mais semelhantes ao que ali está escrito. Afinal, para que serviria ler a Bíblia quando não se tem qualquer desejo de abraçar o que ela ensina? Em outras palavras, ler o texto bíblico pode, por vezes, mudar as visões e atitudes dos leitores, os quais acabam sendo supreendidos pelo que ali está escrito.

Aaron B. Franzen é graduando do Departmento de Sociologia da Universidade Baylor, nos EUA

O Crescimento Espiritual do Cristão


As cartas do apóstolo Pedro estão classificadas entre as "epístolas gerais" por não se dirigirem a uma igreja ou a uma pessoa específica, mas ao povo de Deus em geral. A primeira carta teve o objetivo de consolar os irmãos que sofriam com as perseguições. A segunda carta foi escrita para exortá-los no sentido de crescerem espiritualmente (2Pd.1.12; 3.18). 

Gostamos de ser consolados, mas não exortados. Entretanto, não podemos recusar este precioso aspecto da palavra do Senhor para nós. Exortação é admoestação e incentivo. 

Mas, como aconteceria o crescimento espiritual? Viria com o passar do tempo? Seria automático? Não. O crescimento seria promovido pela aquisição de uma série de qualidades relacionadas por Pedro: 

"E por isso mesmo vós, empregando toda a diligência, acrescentai à vossa fé a bondade, e à bondade o conhecimento, e ao conhecimento o domínio próprio, e ao domínio próprio a perseverança, e à perseverança a piedade, e à piedade a fraternidade, e à fraternidade o amor" (2Pd.1.5-7). 

Isto nos faz lembrar uma lista de ingredientes usados para fazer um bolo. Coloque farinha numa vasilha, depois acrescente ovos, leite, açúcar, manteiga, sal e fermento. Misture bem, coloque numa forma untada com óleo e deixe assar por 30 minutos. 

Se faltarem os ingredientes, a receita não pode ser executada. Assim também, as virtudes espirituais que Pedro listou são importantes, necessárias e imprescindíveis em nossas vidas. 

Aqueles irmãos já possuíam fé, já acreditavam em Deus e em Jesus Cristo, conforme vemos no primeiro versículo daquela carta. A fé é fundamental, mas não é tudo. Ela é apenas o início do processo. De nada adianta alguém se vangloriar de ter uma grande fé se não tem as outras virtudes citadas. 

Também precisamos da bondade. Assim, a nossa fé não será usada para o mal, como acontece em atentados terroristas ou em "trabalhos" espirituais para matar. A fé sem bondade produz exploração, manipulação, orações contrárias e até inquisição.

Em terceiro lugar, Pedro colocou o conhecimento. Precisamos conhecer a bíblia e também ao próprio Deus através de experiências vividas com ele. O conhecimento sem a fé, não nos será útil, enquanto a fé sem o conhecimento pode se transformar em superstição e fanatismo. Seria uma fé ingênua, pronta para aceitar as heresias dos falsos mestres (2Pd.2.1).

Depois, precisamos ter o domínio próprio. Sem o auto-controle, a fé, a bondade e o conhecimento podem perder o seu valor, assim como acontece com um carro potente sem freio. O cristão precisa controlar os apetites, a ira e as ambições. Quem não controla seus desejos e impulsos acaba entregando o controle de sua vida a outra pessoa, seja o médico, o policial, juiz ou carcereiro. É pela falta do domínio próprio que vêm os escândalos, e não por falta de fé ou conhecimento.

Em quinto lugar, Pedro citou a perseverança, ou seja, precisamos ser insistentes na prática do bem e fiéis nos compromissos assumidos com Deus e com os homens. O cristão não pode desistir facilmente dos seus propósitos. Perseverança é determinação e firmeza diante das dificuldades naturais e dos ataques espirituais. Muitas pessoas são tão inconstantes que caem sozinhas. Satanás nem atacou, mas elas já foram a nocaute. 

Depois vem a piedade que, nesse contexto, não significa pena, dó ou compaixão, mas devoção e dedicação a Deus. O cristão não pode viver para si mesmo, colocando seus próprios interesses como o centro do evangelho. Para evitar isso, devemos realizar ações para Deus, com o único propósito de agradá-lo. Aqui entra o louvor, a adoração, a oração, o jejum e a oferta, principalmente quando não são vistos pelos homens. 

Em penúltimo lugar, Pedro mencionou a fraternidade, que é o amor aos irmãos. Este não pode ser apenas uma teoria ou um sentimento, mas precisa se materializar na prática da comunhão, da participação e do serviço. Fraternidade sem piedade torna-se apenas relação social. Piedade sem fraternidade produz a religião individualista e isolada. Encontramos fraternidade em muitas religiões e sociedades, mas está fora do legítimo contexto cristão, separada do conjunto de virtudes mencionadas pelo apóstolo. Precisamos nos dedicar a Deus e aos irmãos: piedade e fraternidade precisam andar juntas. 

O último elemento é o amor. Este vai além da fraternidade porque não se aplica apenas aos irmãos, mas ao próximo de modo geral. É um nível de amor sacrificial. É a capacidade de amar até mesmo os inimigos humanos, conforme Jesus ordenou. 

Certa vez, os moradores de uma cidade não aceitaram a entrada de Jesus, então João e Tiago perguntaram: "Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu para os consumir como Elias também fez"? (Lc.9.54). Evidentemente, Jesus não permitiu tal coisa. Aqueles discípulos eram dois irmãos unidos. Demonstraram ter conhecimento, pois sabiam da história de Elias. Tinham também fé suficiente para pedir fogo do céu, mas não tinham amor ao próximo. 

Ao fazer um bolo, podemos substituir alguns ingredientes, por questão de negligência, economia ou criatividade, mas o resultado pode ser terrível, mas cada um comerá o bolo que tiver feito. Não poderemos nos esquivar das consequências do estilo de vida que escolhemos. 
Se tivermos os ingredientes certos em nossas vidas, todos eles, obteremos excelente resultado. 

"Porque, se em vós houver e abundarem estas coisas, elas não vos deixarão ociosos nem infrutíferos no pleno conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo" (2Pd.1.8). 

Desta forma, seremos cristãos trabalhadores e produtivos na obra do Senhor e, acima de tudo, agradáveis ao nosso Deus. 

Pr.Anísio Renato de Andrade
www.anisiorenato.com

terça-feira, 22 de maio de 2012

Os benefícios de estar destroçado


Fonte: Cristianismo Hoje
A graça de Deus, única solução para a morte e a maldade, vem sem custos, livre da lei, livre dos esforços humanos para obtê-la.

Por Philip Yancey

Ao ouvir os discursos nos períodos de eleições, alguém pode sugerir que uma nova safra de políticos resolverá os problemas que o país tem enfrentado. Uma vez eleito, o candidato resolverá os problemas da educação, a crise na saúde, eliminará a pobreza, ajustará a economia e unirá o país.
Para dois problemas, entretanto, nenhum político ousa apresentar soluções: morte e maldade. Endêmicos à condição humana, esses dois problemas nos acompanharão por toda nossa vida. São exatamente esses os problemas que o evangelho de Cristo promete solucionar – não através da política ou ciência, mas através de um projeto que se iniciou no Gólgota.
Estudiosos da Bíblia mostram que o capítulo 3 de Romanos é a mais compacta exposição das boas novas. Antes de revelar a cura para aqueles dois males, Paulo detalha a impotência da humanidade em achar solução por conta própria. Desse modo, ele impressiona seus ouvintes com a gravidade da “doença” antes de apresentar sua cura. Sou confrontado com as três categorias de pecadores apresentadas por Paulo em Romanos 1 e 2. Ele começa descrevendo infratores flagrantes: depravados, assassinos e inimigos de Deus (embora, curiosamente, ele também mencione os pecados “de todo dia”, como ganância, fofoca, inveja e desobediência aos pais).
Como seus leitores eram cidadãos conscientes, presunçosos por sua superioridade moral ante àqueles depravados, Paulo vira a mesa do jogo no capítulo 2: “Portanto, és indesculpável, ó homem, quando julgas, quem quer que sejas; porque, no que julgas a outro, a ti mesmo te condenas; pois praticas as próprias coisas que condenas”.
Posso nunca ter roubado um banco, mas será que eu já soneguei meus impostos? Ou será que eu fiz alguma obra em minha casa sem que tivesse licença para fazê-la? Será que já ignorei uma necessidade por causa de preguiça? Paulo segue a lógica de Jesus apresentada no Sermão do Monte: Homicídio e adultério diferem de ódio e luxúria apenas por uma questão de grau. Na verdade, a pessoa que comete um mal flagrante tem uma vantagem peculiar: um giroscópio interno na consciência que registra a sensação de estar fora de curso.
Certa vez, aceitei participar de um programa de cristãos chamado de os 12 passos, como os Alcoólicos Anônimos. Enquanto falava com os que ali estavam e ponderava acerca do que ia dizer, eu finalmente decidi pelo irônico título: “porque às vezes eu desejaria ser um Alcoólico”. Ocorreu-me que aquilo que os levava a confessarem-se todos os dias – falhas pessoais, a necessidade diária de graça e ajuda de amigos e de um poder maior – representa altos obstáculos para aqueles de nós que se orgulham de sua independência e auto-suficiência.
Paulo reservou seus comentários mais contundentes para uma terceira categoria de homens, os portadores de justiça própria, que em seus dias eram, majoritariamente, judeus que se orgulhavam por guardar estritamente a lei. Fariseu dos fariseus; Paulo conhecia muito bem esse título, como atesta em uma de suas cartas. Ele se refere aos depravados como “eles”, e aos bons cidadãos como “vocês”. Entretanto, quando ele discursa sobre a justiça própria, ele usa a primeira pessoa do plural. “Que se conclui? Temos nós qualquer vantagem? Não, de forma nenhuma!”.
Nos seus piores dias concernentes à justiça própria, Paulo perseguiu cristãos e esteve presente no apedrejamento de Estêvão. Ele sabia dos perigos que acompanhavam aqueles que se achavam moralmente superiores. Assim como a negação pode fazer com que pessoas não procurem médicos por cause de um nódulo, pondo, assim, vidas em risco, a negação do pecado pode conduzir a conseqüências ainda maiores. A menos que aceitemos esse desolador diagnóstico, não encontraremos cura.
A descrição da confissão de Paulo sobre sua justiça própria me faz lembrar um incomum esforço de M. Scott Peck para identificar uma nova desordem psíquica chamada mal. Em seu livro “Povo da mentira”, Pack analisa os tipos de maldade e conclui, como Paulo, que os piores deles são os mais sutis. Todos condenamos abusos infantis – mas o que dizer sobre pais controladores e manipuladores que trazem conseqüências devastadoras sobre suas crianças? Pack menciona uma surpreendente característica da maldade: atitude de se esquivar; intolerância com críticas; preocupação pública para com sua imagem e com sua respeitabilidade; fraqueza intelectual.
Paulo conclui: “Não há um justo; nem um sequer”. Talvez na passagem mais sombria de toda a Bíblia, ele fez uma conjunta descrição anatômica deste problema, ao dizer que eles têm: línguas enganadoras, gargantas como um sepulcro aberto, lábios venenosos, pés violentos e olhos arrogantes (Rm 3.10-18). Todas essas coisas estabelecem a magnífica apresentação do evangelho que começa em Romanos 3.21, a explicação da justificação pela fé somente que desencadeou a Reforma Protestante.
A graça de Deus, única solução para a morte e a maldade, vem sem custos, livre da lei, livre dos esforços humanos para obtê-la. Para essa livre oferta, nós só precisamos manter abertas as nossas pobres e necessitadas mãos – o gesto mais difícil para alguém cheio de justiça própria.

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Entre demandas e valores


Fonte: Cristianismo Hoje
Precisamos de um novo equilíbrio entre nossos corações e nossas agendas. Podemos afirmar que nossa família é prioridade em nossas vidas, mas nossas agendas não condizem com tal afirmação.
Nunca na história da humanidade uma geração esteve tão cercada por demandas como esta à qual pertencemos. Vivemos imersos numa cultura geradora de demandas pessoais, familiares, profissionais, econômicas, sociais e ecológicas, entre outras. Parte delas tem sido gerada e propagada pela mídia de uma sociedade de consumo. Mas também têm sido produzidas e assimiladas através de nossas próprias redes de relacionamentos, nas quais, constantemente, estabelecemos como padrão de referência aquilo que o nosso amigo, vizinho ou parente diz ser, possuir ou fazer.
No passado, era muito mais fácil criar um filho, ter um corpo considerado saudável ou sentir-se realizado profissionalmente – até ter um padrão de vida tido como bom era menos complicado. Atualmente, para criar um filho, necessitamos de coisas que jamais passaram pela mente de nossos pais ou avós. Hoje, só é saudável quem passa horas e horas em academias, ou malha até o limite da resistência. Só pode ser considerado um bom profissional aquele que acumula títulos acadêmicos, domina idiomas e está disposto a sacrificar tudo pela carreira. E ter um bom padrão de vida significa necessariamente possuir bens considerados, até pouco tempo, como totalmente supérfluos.
O grande problema de estarmos inseridos nessa cultura da demanda é que, gradativamente, perdemos a noção da influência que ela exerce sobre nós e dos caminhos que nos leva a percorrer. Passamos a viver em função das demandas que emergem diante de nós e somos pressionados a seguir rumos que nos são impostos (ou a que nos impomos) sem refletir se eles nos levarão para onde um dia planejamos chegar. Assim, nossas vidas se transformam numa grande maratona, só que no ritmo de uma corrida de 100 metros rasos.
Podemos encontrar as consequências disso por todo lado. É fácil encontrarmos gente com agendas lotadas, valores confusos, sintomas crônicos de estresse, casamentos arrebentados, filhos ansiosos e sem limites, vida financeira em desequilíbrio e profundos sentimentos de frustração. Esse tipo de pessoa tem se tornado tão comum em nossa sociedade que corremos o risco de assimilar tal perfil como normal – e concluir que este é o único padrão possível numa cultura geradora de demandas.
No entanto, como discípulos de Jesus, não podemos – e nem devemos –, acreditar que tal é o padrão normal a ser vivido. Na verdade, imersos pela cultura das demandas, precisamos tomar uma decisão interior – afinal, quem determinará os rumos de nossas vidas? As demandas da cultura que nos envolve ou os valores de Deus em nossos corações? Nossa resposta não apenas determinará o futuro de nossas vidas, como também revelará quem de fato é nossa fonte primária de orientação.
Mas a decisão por fazer dos valores de Deus a nossa fonte primária de orientação não é tão simples como parece. Decisão assim impõe sobre nós a necessidade de uma verdadeira reorganização de prioridades em nossas vidas. Primeiramente, precisamos de um realinhamento entre os valores de Deus e os valores de nossos corações. Muitas pessoas frequentam igrejas, leem a Bíblia, conhecem seus principais personagens e histórias e até fazem orações diariamente. No entanto, os valores do Reino de Deus não estão em seus corações. Sua relação com a espiritualidade cristã é de mera informação, e não de transformação; e seus corações continuam envolvidos e encharcados pelos valores determinados pela cultura.
Em segundo lugar, após o realinhamento dos valores de Deus aos valores de nossos corações, precisamos também de um novo equilíbrio entre nossos corações e nossas agendas. Podemos afirmar que nossa família é prioridade em nossas vidas, mas nossas agendas não condizem com tal afirmação. Podemos dizer que nossa saúde física e emocional é fundamental em nossa caminhada, mas, novamente, nossa agenda diz o contrário. Logo, se queremos experimentar os valores de Deus como fonte primária de orientação em nossas vidas, precisamos fazer com que eles alcancem e influenciem nossas agendas.
Desta forma, como homens e mulheres imersos numa cultura de demandas, podemos viver uma verdadeira contracultura que tem como centro dinamizador os valores de Deus para a vida em todas as suas dimensões. Como consequência, nossas agendas não estarão mais condicionadas às demandas emergentes, mas sim, aos valores estabelecidos pelo Senhor – valores estes que nos conduzem a um projeto de vida marcado pela sabedoria do Criador, e não pela loucura da cultura gerada pela obstinação de suas criaturas.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Anjos Caídos


Fonte: Cristianismo Hoje
Avanço das drogas na sociedade bate à porta da igreja e jovens evangélicos já fazem parte de estatísticas do vício.

Por Marcos Stefano
Tudo começou com um punhado de anfetaminas e o desejo desenfreado de vencer no ciclismo. Mas logo vieram o ecstasy, a cocaína, o crack, as brigas com a família e os roubos para manter o vício que acabara de se instalar. A cada capítulo, o drama vivido por Danilo Gouveia, personagem interpretado pelo ator Cauã Reymond na novela Passione, da Rede Globo, mexe com os telespectadores e choca a sociedade com a dura realidade das drogas. Não é o primeiro sucesso do showbiz macional em cima do assunto. Há pouco tempo, o longa Meu nome não é Johnny, baseado no livro do jornalista Guilherme Fiuza, ganhou as telas dos cinemas ao revelar as desventuras de João Guilherme Estrella, um jovem que tinha tudo na vida, menos limites, pelo mundo das drogas. Em comum, histórias como as de Gouveia e Estrella alertam dramaticamente que ninguém está livre desse perigo – nem mesmo aqueles que estão aparentemente nas situações mais seguras, aos olhos dos homens. Johnnatan Wagner Richele Guardian, hoje com 25 anos, sabe muito bem o que isso significa. Nascido numa família de pastores, Johnnatan cresceu dentro de uma congregação da Igreja do Evangelho Quadrangular, numa pacata cidade do interior das Minas Gerais. Na adolescência, envolveu-se com o grupo de mocidade e começou a tocar nos cultos. Tinha talento e um futuro promissor. Mas trocou tudo pela bebida e pela droga. A ponto de terminar traficando cocaína e crack nas ruas da cidade de São Paulo. Tornara-se um dependente.
Para quem observa hoje o trabalho e o envolvimento do obreiro Johnnatan com a juventude da Igreja Internacional da Graça de Deus, onde se prepara para o pastorado, é até difícil imaginar o que pode ter acontecido para um moço aparentemente tão fervoroso espiritualmente ter se esfriado tanto. “As pessoas sempre me viam nos cultos, mas não sabiam o que se passava comigo”, conta. Repetindo o que acontece com tantoa garotos que crescem numa aparente segurança espiritual dentro das igrejas, ele estava longe da fé fervorosa da avó, que sempre o levava aos cultos. “Eu achava tudo muito careta e, influenciado por alguns amigos, pensava que ser crente era viver escondido atrás de uma Bíblia”. Aos 19 anos, o rapaz deixou a igreja. Com a “ajuda” daqueles mesmos amigos, começou a beber. Dali para as drogas, foi um passo.
A família, no entanto, não desconfiava de nada. Só veio a descobrir a verdade quando Jonathan foi morar com a mãe, na capital paulista. Como o que ganhava já não era suficiente para comprar tóxicos, começou a vender coisas de casa até ser flagrado pela mãe. Já estava dominado pelo vício. Nos anos seguintes, não foram poucas as tentativas de deixar as drogas, mas elas sempre terminavam em fracasso. Bastava uma discussão que o deixasse mais nervoso para Johnnatan mergulhar novamente naquele mundo. “Quando ficava desempregado ou o dinheiro acabava, vinham as vozes no ouvido: ‘Por que você não se mata? Jogue-se da ponte!’. Era terrível”, recorda. Conseguiu sobreviver até que um de seus patrões o levou de volta à igreja, onde recebeu a Cristo como Salvador. Logo foi incentivado a largar o vício. Essa decisão, assim como a de romper com velhas amizades e até mesmo um namoro, foram decisivas para que ele tivesse êxito.
Histórias de crentes que enfrentam o pesadelo das drogas chegam a soar muitas vezes quase como surreais. Porém, o que mais impressiona não são experiências sobrenaturais ou as misérias enfrentadas quando a pessoa chega ao fundo do poço, mas perceber que esses casos se multiplicam. Por si só os números que envolvem as drogas têm dimensões infinitamente maiores do que qualquer das pragas descritas no Apocalipse. Estima-se que, em todo mundo, mais de 210 milhões de pessoas usem algum tipo de droga ilegal. Dessas, de acordo com levantamento da Organização das Nações Unidas, 26 milhões enfrentam problemas sérios, como a dependência de substâncias mais pesadas, especialmente nos grandes centros urbanos. É um problema de saúde pública, inclusive no Brasil, onde estima-se que haja quase 900 mil usuários. Mas, quando se pensa que uma parte desse contingente é formado por jovens filhos de crentes ou desviados das igrejas, a preocupação é ainda maior.
O pastor Cilas, dirigente de uma igreja pentecostal do Rio de Janeiro, pede que a reportagem omita seu sobrenome e o nome de seu filho mais novo, de 22 anos. Mas não esconde que vive esse drama: “Eu prego a libertação que há em Jesus no púlpito, mas esse processo ainda não aconteceu na minha casa”, lamenta o religioso. No fim da adolescência, o filho, que desde bebê acostumou-se a ouvir cânticos e mensagens de fé na congregação frequentada pela família, deixou de ir aos cultos. Alegava que queria ficar em casa e assistir televisão aos domingos, mas quando se via sozinho, saía furtivamente. “Pensamos que era aquela coisa de adolescente rebelde, que um belo dia vai ter uma experiência com Cristo e mudar de vida”, diz Cilas. O problema era muito maior – o garoto já andava com outros rapazes mais velhos, que o iniciaram nas drogas. Passo seguinte, abandonou os estudos e agora pouco aparece em casa, para desespero dos pais. “Às vezes, fico semanas sem vê-lo, sem nem mesmo saber se está vivo ou morto”, entristece-se o pastor, que admite a própria culpa. “Tinha tanto interesse em buscar as almas perdidas que não percebi que tinha um perdido sob meu teto.”

RELAÇÃO PERIGOSA
Não existem pesquisas nem números que quantifiquem de fato essa relação perigosa dos jovens evangélicos com as drogas. Mas basta analisar o perfil dos pacientes internados nas muitas casas de recuperação para dependentes químicos espalhadas pelo Brasil para perceber que vários deles têm ou tiveram alguma relação anterior com o Evangelho. Essa constatação se repete nas ruas. No Rio de Janeiro, missionários que trabalham nas favelas costumam relatar encontros em que traficantes pedem orações. “Cansei de conhecer traficantes filhos de crentes”, confirma o missionário Pedro Rocha Júnior, de Jovens com uma Missão, a Jocum. Atualmente no Cairo (Egito), ele passou mais de uma década pregando o Evangelho e prestando serviços sociais no Morro do Borel, zona norte da capital carioca, num tempo em que a comunidade era dominada pelo narcotráfico. “Muitos dos traficantes tinham nomes bíblicos, como Ezequiel, Davi, Josué. Gente criada na igreja, mas que depois pulou fora e caiu no vício.”
Em São Paulo, na chamada Cracolândia – área da região central da cidade que ganhou fama pelo tráfico de drogas e pela prostituição, além dos delitos praticados a céu aberto e em plena luz do dia –, meninos e meninas que um dia cantaram em corais juvenis de igrejas agora não passam de moribundos que vagam pelos becos alucinados pela próxima dose. “É assustador ver que tanta gente com quem trabalhamos saiu de igrejas e provêm de famílias evangélicas. Seja por terem uma religião apenas nominal ou por experimentarem alguma frustração com o sistema, foram presas fáceis para a tentação das drogas”, explica a advogada e missionária Selma Maria de Oliveira, de 33 anos. Ela integra a Missão Cena, organização interdenominacional que trabalha na região da Cracolândia. Sua sede, localizada próximo dali, é um refúgio para quem já não pode contar com mais nada nem ninguém. A cada terça-feira, centenas de moradores de rua e viciados dirigem-se à base para comer, tomar banho, cortar o cabelo e trocar de roupa. Lá, encontram abrigo temporário, mas que pode se transformar em permanente: após passar por uma triagem, os usuários de drogas têm a possibilidade de conseguir tratamento na Fazenda Nova Aurora, centro de recuperação que a missão mantém em Juquitiba, no interior paulista.
A impressão dessa alta presença de ex-crentes entre os viciados foi partilhada pelo repórter de CRISTIANISMO HOJE. A revista acompanhou na região central de São Paulo o trabalho de uma equipe de obreiros da Cena. Conversando com usuários de drogas como o crack, é possível perceber a origem e formação evangélica de diversos deles, como um rapaz que falava da Bíblia para moradores de rua. Antes, líder do louvor numa igreja pentecostal, ele agora se tornou traficante. Mesmo pedindo para não ser identificado, falou um pouco sobre sua história. Ainda guarda do Evangelho a certeza de que há perdão e restauração em Cristo, mas, por enquanto, diz não ter forças para sai do fundo do poço. “Tenho esperança de que um dia voltarei para os caminhos do Senhor”, diz. Mesmo assim, garante, fala do amor de Jesus aos outros. “Até ensino o pessoal a cantar alguns hinos”, diz, sorrindo.
“Há pelo menos quatro fatores que podem explicar o vício entre os jovens: o físico, o psicológico ou emocional, o social – e também o espiritual”, explica a psicóloga Gisele Aleluia, professora do Instituto de Integração da Família (Inif) e de pós-graduação na Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro. Coautora do livro Drogas.sem (Editora BestSeller), em que orienta como ajudar alguém que pretende deixar o vício, ela diz que os adolescentes são presas fáceis quando buscam reconhecimento entre os amigos e acham que as drogas os ajudarão a ser mais populares ou vencer a timidez na hora de namorar. Já outros, na ponta oposta, são por demais curiosos e autossuficientes para achar que correm riscos. “A mesma falta de perspectivas pode ser encontrada entre aqueles inseguros, que vão atrás de alívio para seus problemas”, aponta.
Pesquisa recente mostrou que um em cada quatro estudantes do ensino fundamental e médio da rede pública brasileira já experimentou algum tipo de droga, além do cigarro e das bebidas alcoólicas. Num desafio ao bom senso, experimentam esse tipo de substância cada vez mais cedo. Há dez anos, a média de idade para o primeiro contato era de 14 anos. Agora, não passa de onze. As pesquisas também revelam que, devido à exibição na televisão dos efeitos devastadores dos entorpecentes na vida de viciados e às campanhas de prevenção, a juventude brasileira sabe o tamanho desse problema. Ainda assim, boa parte dela não consegue ficar longe de um baseado de maconha ou um papelote de cocaína.
“No meio evangélico, some-se a tudo isso o ambiente repressor de muitas igrejas. Ao sair desse sistema, o jovem está vulnerável e despreparado”, continua a psicóloga Gisele. “Justamente por conta dessa tolerância para com os de fora e intolerância para os de dentro, a igreja tem facilidade para lidar com quem pede ajuda e dificuldade para auxiliar alguém já recuperado que recai”, diz. Membro do Corpo de Psicólogos e Psiquiatras Cristãos (CPPC), ela lembra o caso de um de seus pacientes. Filho de pastor, hoje, ele luta contra o vício. “A pessoa quer mostrar sua rebeldia usando tóxicos. No caso desse rapaz, ele me confessou que seu pai o havia prendido a vida inteira. Finalmente, quando conseguiu sair, saiu demais.”

ESPIRITUALIDADE TERAPÊUTICA
Do ponto de vista da ciência, as drogas são uma doença. Um problema sério, capaz de acabar com relacionamentos e inviabilizar o estudo e o trabalho – e que precisa do devido acompanhamento e de soluções à altura. Mesmo assim, até na área médica já existe um consenso de que a espiritualidade tem um papel muito importante para prevenir e tratar a dependência química. No mais amplo estudo realizado no Brasil sobre o tema, de autoria de pesquisadores da Universidade de Campinas (Unicamp), mais de 16 mil estudantes foram envolvidos. A conclusão foi de que a religiosidade é fator importante de prevenção ao vício.
Essa também é a opinião dos órgãos governamentais responsáveis pela política nacional de combate às drogas. “As instituições religiosas são fundamentais para minimizar o impacto do uso das drogas na população. Ter fé auxilia no enfrentamento do estresse e de situações difíceis na vida, que são fatores de risco para o uso dessas substâncias”, defende Paulina Duarte, secretária adjunta da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad). Dentro da estratégia de priorizar a prevenção, um dos principais projetos da instituição é o curso Fé na Prevenção, desenvolvido para capacitar os religiosos a trabalhar na área. O objetivo era chegar ao fim de 2010 com 200 mil pessoas treinadas.
“Valores espirituais protegem a pessoa das drogas. Por isso, torna-se tão importante falar a língua do jovem”, faz coro Gisela. Acontece que normalmente famílias e igrejas que enfrentam o perigo das drogas com seus jovens têm dificuldade para fazer a pressão na medida certa e ao mesmo tempo manter o mínimo de diálogo. Na lacuna, quem entra com força são os centros especializados no acolhimento e tratamento a viciados. Não por acaso, a maior parte das casas de recuperação são evangélicas ou católicas, sendo procuradas também por quem não tem religião. Mas a demanda é grande demais, inclusive por parte das igrejas e famílias evangélicas que as veem como última esperança. Só a Federação de Comunidades Terapêuticas Evangélicas do Brasil (Feteb) representa cerca de 300 instituições do gênero no Brasil. Quem atua no setor quer fazer mais. “Para prestar um serviço relevante à sociedade precisamos nos qualificar, mas também melhorar nossa estrutura física”, diz o presidente da entidade, pastor Wellington Vieira. “Um primeiro passo é o reconhecimento dos governos federal, estaduais e municipais ao nosso serviço e parcerias que nos permitam adaptar-nos às exigências da Vigilância Sanitária para o funcionamento das clínicas”, reivindica.
A fé, contudo, não faz milagres sozinha. “Não adianta somente se dizer evangélico. Se a família que frequenta a igreja é disfuncional, a chance de seus filhos pararem nas drogas é alta”, constata o pastor Carlos Roberto Pereira da Silva, do Desafio Jovem de Rio Claro (SP). Desde 1998, a casa é a representante oficial do Ministério Desafio Jovem Internacional, criado quarenta anos antes nos Estados Unidos pelo pastor David Wilkerson, cuja história está registrada no best-seller A cruz e o punhal (Editora Betânia). Na época, Wilkerson, pastor de uma Assembleia de Deus no interior do país, mudou-se para Nova Iorque a fim de evangelizar gangues que disputavam o poder nas ruas da metrópole.
“O tratamento é melhor estruturado e mais complexo agora”, destaca Carlos, “mas, ainda hoje, a filosofia de trabalho permanece a mesma. Temos uma das melhores porcentagens de recuperados no país, com mais de 70% de sucesso. Nos Estados Unidos, o índice chega a 86%”. Ele é parte dessa estatística, já que, no passado, foi viciado e chegou a roubar e traficar drogas. Com conhecimento de sobra, o pastor não tem ilusões em relação ao assunto. “Infelizmente, muitas igrejas querem lidar com viciados sem o mínimo de estrutura. Não se tira alguém das drogas com uma simples oração ou unção com óleo”. Mas sabe que o Evangelho de Jesus continua tendo poder de mudar vidas. “Acredito que a Igreja brasileira continua sendo um lugar terapêutico, mas é preciso voltar a tocar a trombeta do despertamento.”
Johnnatan, o futuro pastor que abre a reportagem, tem feito isso. Exceção à regra, ele superou o vício sem precisar ser internado em uma casa de recuperação. Mas sabe que precisa vigiar. As recaídas são das maiores ameaças a ex-viciados, e ele já passou pela experiência. “E não quero repetir nunca mais”, afirma. Consciente da situação, hoje Johnnatan ajuda a tirar outros jovens do submundo das drogas. Quase toda semana, visita instituições de atendimento, onde testemunha e encoraja os internos a continuarem o tratamento. “Se eu consegui, você também consegue”, costuma repetir para rapazes e moças – muitos dos quais, como ele, deixaram para trás os tempos de comunhão com o Senhor e os irmãos para entrar num caminho nem sempre com retorno.


PROJETO CARAVANA


terça-feira, 15 de maio de 2012

OS DEZ MANDAMENTOS


A bíblia não nos ensina a "deixar a vida nos levar", permitindo que tudo aconteça "naturalmente", conforme o desejo e as circunstâncias. O ser humano não pode ser como uma folha seca levada pelo vento. Os mandamentos de Deus pretendem impedir isto. Quando os israelitas saíram do Egito, o Senhor não deixou que vivessem "soltos no deserto", fazendo o que bem quisessem. A primeira parada foi no monte Sinai para que o povo recebesse a lei, o regulamento que deveria controlar suas vidas. Isto não quer dizer que perderiam a vontade própria e o direito de escolha, mas teriam limites protetores. 

Os dez mandamentos foram as principais ordens recebidas naquela ocasião (Ex.20), tratando da relação do homem com Deus, com o próximo, com a família e consigo mesmo. Vemos ali diversos princípios e valores referentes à religião, adoração, tempo, honra, justiça, verdade, trabalho, descanso, sexo, direito à vida e à propriedade. 

Observando a forma verbal ("Não matarás; não adulterarás; não furtarás; não cobiçarás" etc), percebemos que aquele código focalizava o futuro. Era preventivo e não corretivo. Esta é uma das características da palavra de Deus e tem o propósito de evitar que o mal aconteça. Prevenir é mais fácil e mais barato. 

Os mandamentos eram simples, mas transgredi-los significava complicar a vida. Veja que os versículos "Não matarás", "Não furtarás" e "Não adulterarás" são os menores do Antigo Testamento. Em hebraico, cada um deles tem 6 letras. Desobedecê-los, porém, traz os maiores problemas. 

Os verbos estão conjugados na segunda pessoa do singular: tu. A priori, Deus estava tratando com cada indivíduo e não com a nação. Cada pessoa é responsável pelo cumprimento da vontade de Deus, mas os efeitos, bons ou ruins, afetam a coletividade. 

Entre os dez mandamentos encontramos mais de um abordando o mesmo tema:

"Não terás outros deuses diante de mim" e "Não farás para ti imagem de escultura".

"Não adulterarás" e "Não cobiçarás... a mulher do teu próximo".

"Não furtarás" e "Não cobiçarás a casa do teu próximo, nem o seu servo, sua serva, seu boi" etc. 

O propósito seria atingir o pecado em diferentes níveis de desenvolvimento: ato e desejo, exterior e interior, fruto e raiz. São dois campos de ação do inimigo, e um deles pode parecer inofensivo. 

O desejo pecaminoso não parece tão mal, mas a palavra de Deus nos ensina a combatê-lo. Se não o fizermos, ele poderá se concretizar, iniciando uma sequência de fatos negativos e incontroláveis. Um pecado pode produzir outros piores, como aconteceu na experiência de Davi.

Como surge o desejo? Ele pode ser automático ou resultado de um processo que inclui provocações, propagandas e ofertas. Convém, portanto, evitar tais elementos que fomentam a cobiça (Gn.39.10). Se você não quer entrar, fique longe da porta (Pv.5.8). 

A administração do tempo, presente no quarto mandamento, é importantíssima porque daí virão muitos bens ou muitos males. O senhor disse "seis dias trabalharás e farás toda a tua obra". Quem se entrega à preguiça e à ociosidade terá mais tempo para cobiçar as coisas do próximo, transgredindo assim o décimo mandamento. Se não trabalha e não pode adquirir o que deseja, pode ser tentado a furtar. Se for surpreendido em seu ato, pode até matar. 

Por outro lado, aquele que trabalha demais, sete dias por semana, não terá tempo para Deus nem para a família, dando ocasião a outros tipos de pecado em sua vida e em seu lar. Ainda que não sejamos sabatistas, é imprescindível a separação de um tempo semanal para o descanso, lazer e dedicação especial ao Senhor. 

Os dez mandamentos tratam de realidades e desejos. O desejo é importante, porém inconstante, e precisa ser limitado pelos compromissos e obrigações assumidas. Errando na relação entre realidade e desejos, sofreremos terríveis consequências. Acertando, em obediência à vontade do Senhor, seremos recompensados com suas bênçãos. 

Pr.Anísio Renato de Andrade 

No fundo do coração


Fonte: Cristianismo Hoje
A arte perdida da memorização das Escrituras Sagradas é um poderoso elixir espiritual.Por John Wilson

Quando foi a última vez em que você memorizou versículos das Escrituras? Provavelmente, na Escola Bíblica Dominical infantil ou em alguma gincana na igreja, não é mesmo? Mas, se você se angustia por não conseguir recitar de cor nada além do Salmo 23 ou do texto de João 3.16, não se preocupe. Na memória, os evangélicos têm registrado muito do que aprenderam inconscientemente: trechos da Palavra de Deus. O valor da prática da memorização não tem tido o devido reconhecimento. Certamente, grande parte daqueles que sentaram nos bancos das igrejas durante anos sabem passagens bíblicas, e muitos preletores são capazes de citar trechos de livros bíblicos como os de Levítico ou Lucas com a mesma autoridade. Mas, caso você tenha sido criança nas décadas de 1950 ou 60, e esteve regularmente em reuniões de oração – daquelas realizadas em meio de semana, onde as vozes dos leigos predominavam –, certamente ouviu a Palavra de Deus sendo citada dentro e fora de contexto, e a tem registrada na memória.
O que era corriqueiro para as gerações passadas de crentes não desapareceu completamente, mas também não é comum nos dias de hoje. Em parte, esse distanciamento das Escrituras Sagradas do cotidiano dos cristãos reflete atitudes culturais de maneira mais ampla. Vivemos em uma época na qual a memorização é rotineiramente menosprezada, atitude resumida em frases como “memória de rotina” ou “aprendizado de rotina”. Dizem-nos que a memorização desencoraja a criatividade, o pensamento crítico e a compreensão conceitual. Mas este menosprezo é estranho, uma vez que não encontra eco em nossas experiências do dia-a-dia. Afinal, qualquer formação profissional requer muita memorização. O que seria de um médico que não consegue decorar nomes de ossos e músculos ou de um advogado que não sabe sequer trechos fundamentais dos códigos legais?
Não acreditamos ingenuamente que a criatividade de músicos, atores ou estudiosos será destruída por traços formidáveis de memória em sua demanda artística e científica. Caso contrário, seria necessário questionar a genialidade de gente como Charles Chaplin, Ludwig Beethoven ou Albert Einstein, que certamente ocupavam boa parte de seus cérebros com intrincados discursos, fórmulas matemáticas e pautas musicais. O que cada um deles fez ao longo da vida é um exemplo especial do que todos fazemos desde que nascemos – uma jornada ininterrupta de lembrar e esquecer, amplamente conduzida sem nossa escolha consciente.
“Sempre que você lê um livro ou tem uma conversa” – nos recorda o escritor científico George Johnson, e quando atravessamos uma estrada, trocamos uma fralda ou fazemos amor –, “a experiência causa mudanças físicas em seu cérebro. Em uma questão de segundos, novos circuitos são formados, memórias que podem transformar para sempre a maneira com a qual você vê o mundo”. O impacto da maior parte do que memorizamos não é tão dramático ao ponto de mudar para sempre a maneira com a qual pensamos sobre o mundo. Mas é real, e suas consequências são acumuladas ao longo do tempo. Por essa razão, as escolhas que fazemos sobre o que colocamos dentro da mente são de grande importância. “Memorização das Escrituras”, escreve o autor cristão Dallas Willard, “é uma das maneiras de dominar o conteúdo dos nossos pensamentos conscientes e dos sentimentos, crenças e ações que dependem deles”.

RESISTÊNCIA ESPIRITUAL
Escrituras de cor: Práticas devocionais para memorizar a Palavra de Deus, livro do pastor e palestrante Joshua Choonmin Kang, inédito no Brasil, trata deste assunto de maneira aguda e instigante. Autor de mais de 30 obras em coreano, sua língua-mãe, e de um livro em inglês, Kang menciona diversas citações, como esta “Não podemos fazer tudo de uma vez, mas podemos fazer uma coisa de uma vez só’ (de Sabedoria para a alma, de Larry Chang). O empenho de Kang em favor da “ultrapassada” causa de memorização de Escrituras chama a atenção e torna seu livro absorvente. Não se deve levar em consideração as distrações de estilo: trata-se de um livro sábio, prático, cativante e, acima de tudo, capaz de comunicar um vibrante amor por Deus e sua Palavra.
A insistência de Kang na disciplina diária – não mais do que 30 minutos por dia, e não menos do que quinze – é o ponto fundamental. Ele fala sobre uma intimidade constante, um ensaio amoroso e uma exploração renovada dos versos que aprendemos, por assim dizer, “de cor”. E todos aqueles versículos que aprendemos há tanto tempo? Com poucas exceções, não são suficientemente frescos na nossa mente para serem recitados. Mas será que isso realmente importa? Se você absorveu o sentido e significado da passagem bíblica, é preciso sabê-la repetir palavra por palavra? E o que dizer da dificuldade trazida pela variedade de versões e traduções bíblicas hoje disponíveis?
Muitas pessoas que cresceram na igreja podem dizer que essa questão de memorização os remete a traumáticas experiências de catequese na juventude, na qual o espírito da Palavra era posto de lado em nome da literalidade. Outros argumentarão que têm sido plenamente satisfeitos com a modernidade das tecnologias digitais, que dispensam a capacidade de lembrar de textos, já que um simples clique no mouse ou no iPod pode exibir todos os versículos existentes sobre determinado tema. Para as novas gerações, de fato, essa história de memorização parece pura perda de tempo, esse bem tão precioso nos dias de hoje.
Isso poderia ser distorcido desta maneira, assim como a oração pode ser distorcida facilmente. Mas, a moda entre os evangélicos é depreciar a memorização das Escrituras, ou ignorá-la. Kang observa que Jesus era “um incentivador de hábitos. Ele lia as Escrituras na sinagoga (Lucas 4.16); orava durante a manhã (Marcos 1.35); fazia preces em lugares altos (Lucas 22.39); e, como um professor diligente, conseguia expor a Palavra de Deus, pois a sabia de cor. “Quando nos comprometemos a memorizar as Escrituras”, escreve Kang, “seguimos os passos de Jesus. Cultivamos seu estilo de vida, juntamos nossos esforços e nos concentramos”. Para ele, memorizar a Bíblia não é um fim em si mesmo: “Quando meditamos profundamente nas palavras das Escrituras, começamos a frutificar. Quanto mais associamos a Palavra com a memória, mais somos enriquecidos. O melodioso concerto da Bíblia Sagrada continuará a fazer eco em nós. Então, nos encontramos com o condutor deste concerto, nosso Senhor Jesus, o Espírito Santo, que nos ajuda a lembrar as Escrituras, e nosso Pai, que receberá a glória através de tudo isso.”

COMPARTIMENTO DA MEMÓRIA
Quantas vezes cada um de nós vai à estante procurar determinado livro e, em meio a tanta oferta de informação, acabamos por nos deter em outros livros que nem estávamos procurando, mas que acabam vindo bem a calhar para outro projeto ou ideia. Assim acontece com os chamados compartimentos da memória. Enquanto pensamos sobre a memorização das Escrituras e buscamos textos específicos no fundo de nossa mente, “encontramos” mesmo muitos outros que nem sabíamos que estavam lá. Isso porque muitas são as vozes que ouvimos no passado – nem todas identificáveis – citando as Escrituras. Algumas ressoam fortes até hoje; outras, já são tão frágeis que nem fazem muito sentido.
Memorizar as Escrituras não é uma prática mágica que nos permite escapar dos sofrimentos da vida, assim como uma Bíblia na estante, aberta no Salmo 91, não tem qualquer poder para nos trazer boa sorte. Mas podemos confiar na promessa que Willard, que nos lembra que, através da memorização, a Palavra de Deus permeia nosso corpo, nosso ambiente social e oferece preciosa orientação acerca de nossa vontade. Estas palavras se tornam um poder, uma substância que nos sustenta, dirige nossos passos – sem mesmo pensarmos nelas – e emerge ao pensamento, consciência e ação conforme o necessário. É o que Jesus fala quando diz que fará morada em nós. E, se nos lembramos ou não de trechos da Palavra que aprendemos em tempos idos, o que importa é que o Senhor se lembra dela, faz morada nela e juntos estão como resposta a um convite gracioso. Memorizar as Escrituras pode ser reduzido a uma técnica, uma competição, uma mera repetição sem compreensão e outras coisas. Mas também pode nos levar a participar do “melodioso concerto” que Kang evoca, tão bem expresso no Salmo 119.103: “Como são doces para o meu paladar as tuas palavras! Mais do que o mel para a minha boca!”