quinta-feira, 26 de maio de 2011

A ORAÇÃO DO DISCÍPULO

                                                                                                
Devemos assinalar, acima de tudo, que esta é uma oração que Jesus ensinou a seus discípulos. Mateus localiza a totalidade do Sermão da Montanha no contexto social da comunidade dos discípulos (Mateus 5:1), e Lucas diz que Jesus ensinou esta oração em resposta ao pedido de um de seus discípulos (Lucas 11:1). A primeira coisa que devemos recordar sobre o Pai Nosso é que somente um discípulo de Jesus Cristo pode repetir significativamente suas palavras. O Pai Nosso não é uma oração para meninos, como muitos a consideram hoje em dia, porque para o menino carece de sentido. O Pai Nosso não é a oração devocional da família, como às vezes a entende, a menos que quando dizemos "família" entendamos a família da Igreja. O Pai Nosso é especifica e definitivamente a oração do discípulo. Para dizê-lo de outra maneira, somente se pode orar o Pai Nosso quando aquele que ora, usando suas palavras, sabe o significado do que está dizendo, e ninguém pode sabê-lo a menos que haja ingressado no discipulado cristão.
Devemos, em segundo lugar, tomar nota da ordem das petições do Pai Nosso. As primeiras três têm que ver com Deus e com a glória de Deus; as últimas petições (três também) têm que ver conosco e nossas necessidades. Quer dizer, Deus recebe, em primeiro lugar, o lugar supremo, e só então nos voltamos para nossas necessidades e desejos. Somente quando se dá a Deus seu lugar próprio todo o resto passa a ocupar o lugar que lhe corresponde. A oração nunca deve ser um intento de mudar a vontade de Deus para adequá-la aos nossos desejos. A oração, quando é autêntica, sempre é um intento de submeter nossa vontade à vontade de Deus.
A segunda parte de nossa oração, que se ocupa com as nossas necessidades e carências, é uma unidade obtida de maneira maravilhosa. Ocupa-se das três necessidades essenciais do ser humano, e das três esferas do tempo nas quais o homem se move. Em primeiro lugar, pede pão, ou seja aquilo que se necessita para o sustento material da vida, elevando ao trono de Deus, deste modo, as necessidades do presente. Em segundo lugar, pede perdão, pondo deste modo o passado ante os olhos de Deus, e da graça perdoadora do Pai. Em terceiro lugar, pede ajuda nas tentações, colocando assim o futuro nas mãos de Deus. Nestas três breves petições nos ensina a colocar o presente, o passado e o futuro ao pé do trono da graça divina.
Mas esta oração tão cuidadosamente elaborada não somente coloca a totalidade da vida humana ante a misericórdia divina; também procura trazer a totalidade de Deus a nossas vidas. Quando pedimos pão para o sustento de nossas vidas terrestres, este pensamento imediatamente dirigirá a Deus o Pai, Criador e Sustentador da vida. Quando pedimos perdão, esta petição imediatamente leva nossos pensamentos a Deus o Filho, Jesus Cristo, o Salvador e Redentor. Quando pedimos ajuda nas tentações futuras, essa solicitude imediatamente nos leva a pensar em Deus o Espírito Santo, o Consolador, Fortalecedor, Iluminador, Guia e Guardião de nosso caminho.
Do modo mais maravilhoso esta breve segunda parte do Pai Nosso toma o presente, o passado e o futuro do homem e os oferece a Deus, o Pai, e o Filho, e o Espírito Santo, a Deus em sua plenitude. No Pai Nosso Jesus nos ensina a levar a totalidade de nossa vida a Deus em sua totalidade, e a trazer Deus, em sua totalidade, Pai, Filho e Espírito Santo, à totalidade de nossas vidas.
       Comentário do Livro de Mateus “Oração do Discipulo” (William Barclay)