sábado, 24 de abril de 2010

O SEGREDO DO RELÓGIO

O colégio onde eu estudava, ainda menino, costumava encerrar o ano letivo com um espetáculo teatral. Eu adorava aquilo, porém nunca fora convidado para participar, o que me trazia uma secreta mágoa. Quando fiz onze anos avisaram-me que, finalmente, ia ter um papel para representar. Fiquei felicíssima, mas esse estado de espírito durou pouco: escolheram um colega meu para o desempenho principal. A mim coube uma ponta, de pouca importância. Minha decepção foi imensa. Voltei para casa em pranto. Mamãe quis saber o que se passava e ouviu toda a minha história, entre lágrimas e soluços. Sem nada dizer ela foi buscar o bonito relógio de bolso de papai e colocou-o em minhas mãos e perguntou: - O quê eu coloquei em suas mãos, filha? - O relógio de ouro do papai, respondi. Em seguida, mamãe abriu a parte traseira do relógio, desvendando seu mecanismo para mim, e perguntou: - O quê você está vendo aí atrás do relógio do papai? - Ora, mamãe, aí dentro tem um monte de rodinhas e parafusos. - E o quê é mais importante, a parte da frente ou a parte de trás do relógio? - As duas - respondi prontamente. Mamãe me surpreendia, pois aquilo nada tinha a ver com o motivo do meu aborrecimento. Entretanto, calmamente ela prosseguiu: - Este relógio tão bonito, seria absolutamente inútil se nele faltasse qualquer parte, se tivesse a parte da frente sem a detrás ou a de trás sem a da frente. Mesmo a mais insignificante das rodinhas ou o menor dos parafusos, por mais escondido que esteja, é essencial ao seu bom funcionamento. Nós nos entrefitamos e, no seu olhar calmo e amoroso, eu compreendi tudo o que ele queria me dizer, sem que precisasse dizer mais nada. Embora muitos,somos um só corpo em Cristo. Romanos 12.5